No ato realizado no Rio de Janeiro contra o chamado PL da Dosimetria, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), defendeu publicamente o rompimento do partido com o Centrão, bloco informal de legendas que domina o Congresso Nacional e costuma atuar de forma pragmática nas votações. Segundo o parlamentar, o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não deve se associar a esse grupo político.
No discurso, Lindbergh enfatizou que o PT precisa manter distância de partidos do Centrão, como o Republicanos, legenda do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB).
“O PT não é Centrão. Nós não podemos nos misturar com o Centrão”, afirmou o deputado, ao sustentar que alianças desse campo político com o bolsonarismo têm favorecido o governo na disputa de narrativa junto à sociedade.
Agora somos nos que estamos nas ruas, diz líder do PT
Segundo Lindbergh, a postura do governo federal mudou após o Congresso Nacional derrubar o decreto que alterava regras do IOF, episódio que teria servido como ponto de inflexão na relação entre Executivo e Legislativo. Para ele, a reação política adotada desde então ampliou a mobilização de apoiadores do governo.
“Há seis meses atrás, eram eles que estavam nas ruas. Agora somos nós. E isso é por uma decisão política. A mobilização de vocês e também do presidente Lula, desde o caso do IOF, mudou a nossa postura”, disse. O parlamentar também citou embates recentes no Congresso, como a chamada PEC da Blindagem, para sustentar que o PT tem levado vantagem no debate público. “Toda vez que há alianças do Centrão com o bolsonarismo, nós estamos ganhando a disputa na sociedade”, completou.
Tensão com a presidência da Câmara
O discurso ocorre em meio a um desgaste público entre Lindbergh Farias e o presidente da Câmara, Hugo Motta. O chefe do Legislativo tem criticado a estratégia do líder petista de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar decisões do Congresso contrárias ao governo.
Na última semana, Lindbergh foi o responsável por ingressar com um mandado de segurança no STF contra a decisão da Câmara de não cassar o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Condenada no Brasil e presa na Itália, a parlamentar teve a situação reavaliada após a ação do líder do PT.
A iniciativa levou o ministro Alexandre de Moraes a determinar que a Mesa Diretora da Câmara declarasse a perda do mandato de Zambelli. Diante do cenário, a deputada bolsonarista renunciou ao cargo neste domingo (14), encerrando o impasse.






Deixe um comentário