Garantias, salvo-condutos e incentivos. Essa é a proposta que a líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, apresenta para que Nicolás Maduro, acusado de fraudar as eleições presidenciais do país, aceite uma “transição negociada” de poder.
– Estamos determinados a fazer a negociação avançar – afirmou María Corina em um áudio enviado à agência de notícias AFP.
Ela tem evitado aparições públicas por medo de retaliações. “Será um processo de transição complexo e delicado, no qual vamos unir toda a nação”.
Nesta sexta-feira (9), o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, declarou que Maduro poderia utilizar o território panamenho como uma ponte para chegar a um terceiro país, caso isso facilitasse uma transição política pacífica em Caracas.
– Se este for o sacrifício que o Panamá tiver que fazer, oferecer nosso solo para que este homem e sua família possam deixar a Venezuela, o Panamá o fará sem hesitação – afirmou Mulino à CNN.
O Panamá foi um dos sete países que contestaram a reeleição de Maduro. Além dele, Estados Unidos, Argentina, Costa Rica, Equador, Peru e Uruguai também reconheceram o candidato opositor, o ex-diplomata Edmundo González, de 74 anos, como o presidente eleito.
Em entrevista a um jornal, o Carter Center, a principal entidade independente de observação eleitoral no pleito, também apontou a vitória de González.
No centro da controvérsia estão as atas de votação, documentos que fazem parte do processo eleitoral venezuelano e permitem verificar o total de votos computados e a quantidade de votos que cada candidato recebeu em uma determinada seção.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo chavismo, proclamou Maduro vencedor com 52% dos votos horas após o fechamento das urnas, mas até o momento não divulgou essas atas. A oposição, por outro lado, afirma que González venceu as eleições com 67% dos votos e apresenta como evidência cópias digitalizadas de mais de 80% das atas.
O regime alega que essas cópias são falsas, mas diversas organizações independentes reconhecem a autenticidade dos documentos em posse da oposição. Enquanto isso, Maduro solicitou à Suprema Corte que “certifique as eleições”, um processo que a oposição e acadêmicos consideram inadequado e inconstitucional.
Também nesta sexta-feira, a ONG Foro Penal relatou que, desde a divulgação dos resultados eleitorais pelo regime, pelo menos 1.263 pessoas foram detidas por motivos políticos, incluindo 114 adolescentes, 160 mulheres, 16 pessoas com deficiência (PcD) e 5 indígenas.
– Estou profundamente orgulhosa do que fizemos, do que a sociedade venezuelana fez, superando todos os obstáculos na eleição mais desigual e arbitrária em termos de abusos e atropelos do regime – acrescentou María Corina à AFP.
María Corina assumiu a liderança da oposição em outubro passado, quando venceu com folga as primárias para enfrentar Maduro. No entanto, sua inabilitação para concorrer a cargos políticos a impediu de disputar a eleição presidencial. González, até então um desconhecido, foi inscrito de última hora em seu lugar.
O candidato opositor está há mais de uma semana sem aparecer em público. “Ele está trabalhando arduamente todos os minutos do dia para obter mais apoios e avançar nos processos necessários para fazer valer sua eleição como presidente, dentro e fora do país”, disse María Corina à AFP.
Com informações da Folha de S. Paulo.




