“O livro de Marielle Franco”, título da fotobiografia em homenagem à memória da vereadora, será lançado nesta quinta-feira, na Maré, comunidade da Zona Norte do Rio. A publicação mostrará fotos inéditas e declarações de diferentes fases de sua vida, entre elas a da vida na Igreja Católica e a da diversão da juventude com coletivos de funk. Algumas páginas destacam falas ditas por Marielle anos antes de morrer. Numa delas, a parlamentar fala de sua ligação com a religião e com a cultura da favela:
“Até a adolescência, eu era jovem favelada. Com mais ou menos 16 anos, estava me entendendo no mundo num tempo e no momento em que tenho uma atuação maior na pastoral da juventude. Tenho uma formação cristã e sou católica, então naquele momento eu me encontrei nesse lugar de contradições. Fui catequista e isso vai me compondo também na formação. É importante falar disso porque é uma parte que está presente em meu lugar. Com 17 para 18 anos, eu entro num período que estou indo muito a baile funk, sendo adolescente da favela que curte baile, torcida, farra, fugir da igreja pra ir pro baile. Fazendo ‘adolescentisse’, vamos dizer assim”.
No capítulo que aborda os hobbies de Marielle na juventude, há a informação de que ela dançou no palco de bailes da Furacão 2000, produtora e gravadora carioca que ajudou a popularizar o funk no Brasil, nos anos 1990.
“Marielle cresceu no Conjunto Esperança, um dos vários que fazem parte do Complexo da Maré. Na adolescência, chegou a trabalhar ao lado do pai, além de frequentar um grupo jovem da Igreja Católica e posteriormente participar como dançarina da equipe de funk Furacão 2000, um status cobiçado entre funkeiras no Rio nos anos 1990. Chegou a dançar em rede nacional e manter um caderninho com anotações de todos os bailes funk da cidade”, diz um trecho do livro.
Outro recorte do livro mostra registros da cerimônia que comemorou seus 15 anos. Nesta quinta-feira, 27 de julho, a parlamentar, se estivesse viva, completaria 44 anos.
A curadoria de imagens é de Mayara Donaria, Thais Souza, Bernardo Guerreiro, Marcelo Brodsky e Wilson da Costa. Os textos ficaram a cargo de Melina de Lima e Sergio Cohn.


Com informações do GLOBO.






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