Justiça Militar torna réus oito envolvidos no furto de 21 metralhadoras do Arsenal de Guerra em São Paulo

O Exército também aplicou punições administrativas a 38 militares, variando de prisão disciplinar por um a 20 dias, dependendo da patente e do grau de envolvimento. Essas medidas começaram a ser implementadas em novembro do ano passado

A Justiça Militar tornou réus oito envolvidos no furto de 21 metralhadoras do Arsenal de Guerra do Exército de Barueri, na Grande São Paulo. Entre eles está o tenente-coronel Rivelino Barata de Sousa Batista, então diretor da unidade.

Na última sexta-feira (23), dois militares foram detidos pelo Exército, seguindo decisão da Justiça Militar, e estão atualmente sob custódia no 2º Batalhão de Polícia do Exército, em Osasco, na Grande São Paulo. Até o momento, as defesas dos acusados não foram localizadas para comentar sobre o caso.

Paralelamente, o Exército optou por aplicar punições administrativas a 38 militares, variando de prisão disciplinar por um a 20 dias, dependendo da patente e do grau de envolvimento. Essas medidas começaram a ser implementadas em novembro do ano passado.

Dezenove metralhadoras foram recuperadas, enquanto outras duas ainda estão sendo procuradas. O furto, conforme apontado pelo inquérito militar, ocorreu em 7 de setembro de 2023, entre 14h30 e 15h, e a dinâmica foi reconstruída por meio da análise de câmeras de segurança e rastreamento.

Segundo as investigações, o arrombamento do depósito da reserva de armamento foi realizado por cabos que desativaram o alarme e desligaram os disjuntores do pavilhão, possibilitando o acesso às armas.

A denúncia aceita pela Justiça Militar, e obtida pela GloboNews, classifica a participação dos envolvidos em direta ou indireta. Entre os réus por participação direta, encontram-se os cabos Vagner da Silva Tandu e Felipe Ferreira Barbosa, ambos presos, acusados de peculato e furto. Por sua vez, o tenente-coronel Rivelino Barata de Sousa Batista e o primeiro-tenente Cristiano Ferreira são réus por inobservância de lei, regulamento ou instrução, este último também acusado de peculato culposo.

Um dos cabos, Vagner da Silva Tandu, motorista do então diretor do arsenal, estacionou a caminhonete tipo picape do comandante próxima ao local e, com a ajuda do outro cabo – Felipe Ferreira Barbosa -, colocaram as armas (13 metralhadoras .50 M2 HB Browning, 8 metralhadoras 7,62 M971 MAG e 1 fuzil 7,62 M964) na caçamba, escondendo o arsenal com a capa da parte traseira do veículo.

Em seguida, o cabo Vagner assumiu a direção da caminhonete e deixou o depósito da reserva de armamento. Já o cabo Felipe Barbosa ficou no local, inseriu novos cadeados e lacre.

A saída do veículo ocorreu sem nenhuma intercorrência porque o primeiro-tenente Cristiano Ferreira deu ordens para que a viatura do diretor nunca fosse revistada na guarda do quartel, o que contraria os regulamentos internos do Exército.

A investigação não estabeleceu conexão direta do primeiro-tenente e do tenente-coronel no furto, mas indicou que os cabos, após subtraírem as armas, as ofereceram para uma facção criminosa, visando lucrar com a venda.

Participação direta:

Vagner da Silva Tandu, cabo do Exército Brasileiro (preso)
réu por peculato e furto, em concurso com o cabo Felipe Ferreira Barbosa

Felipe Ferreira Barbosa, cabo do Exército Brasileiro (preso)
réu por peculato e furto, em concurso com o cabo Vagner da Silva Tandu

Participação indireta:

Rivelino Barata de Sousa Batista, tenente-coronel e então diretor do Arsenal de Guerra do Exército de Barueri
réu por inobservância de lei, regulamento ou instrução, cometida por negligência

Cristiano Ferreira, primeiro-tenente do Exército
réu por inobservância de lei, regulamento ou instrução, cometida por tolerância, e por peculato culposo

Com informações do g1

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