Justiça decreta prisão preventiva de policial militar que matou homem com 11 tiros nas costas em mercado de São Paulo

Juíza ressaltou que policial, mesmo sendo agente de segurança pública, agiu fora de serviço utilizando arma de fogo da corporação, cujo porte ele detinha exclusivamente por sua função

A Justiça decretou a prisão preventiva do policial militar Vinícius Lima Brito, acusado de matar Gabriel Renan da Silva Soares, de 26 anos, com 11 tiros nas costas em um mercado na Zona Sul de São Paulo, no dia 3 de novembro. O agente, que estava de folga, teve sua ação registrada pelas câmeras de segurança do estabelecimento. Segundo o exame de corpo de delito, ele disparou 11 vezes contra a vítima.

A decisão foi proferida pela juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, da 5ª Vara do Júri, atendendo a um pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP) na noite desta quarta-feira. Além de ordenar a prisão, a magistrada tornou o policial réu pelo crime de homicídio qualificado. Em sua justificativa, destacou que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e evitar interferências no processo, considerando que a influência do acusado, como policial militar, poderia comprometer os depoimentos e a produção de provas.

A juíza ressaltou que o policial, mesmo sendo agente de segurança pública, agiu fora de serviço utilizando uma arma de fogo da corporação, cujo porte ele detinha exclusivamente por sua função. Na decisão, ela criticou a conduta do agente, afirmando que os disparos ocorreram em um contexto de repressão a um crime patrimonial sem violência ou grave ameaça, excedendo os limites de sua atividade e representando uma grave distorção da função da Polícia Militar.

O caso ocorreu no Jardim Prudência há um mês, mas ganhou repercussão nesta semana após a divulgação de vídeos do sistema de monitoramento do estabelecimento, que desmentem a versão dada pelo policial no registro de ocorrência, quando ele alegou que agiu em legítima defesa. As imagens mostram que Gabriel tentou sair do mercado após furtar quatro pacotes de sabão, quando foi atingido pelas costas com os disparos de arma de fogo, sem ter reagido em momento algum.

A advogada e tia de Gabriel, Fátima Taddeo, contou que o sobrinho era usuário de drogas K e que estava tentando largar o vício. A família se preocupou quando, pela manhã do dia 4, uma segunda-feira, o jovem ainda não havia voltado para casa. O irmão da vítima passou em frente ao mercado e ficou sabendo que alguém havia sido baleado e avisou os pais, que foram até o local, onde descobriram que a vítima era seu filho.

— Quando a gente correu para a delegacia, vimos no BO, morte por intervenção policial, tentativa de roubo e resistência. Só que aí a gente falou: no mesmo boletim fala que tem 11 perfurações no corpo. Se ele estava tentando furtar, por que está roubo aqui? Furto é um crime cometido sem grave ameaça, por que um policial, teoricamente preparado, precisava de 11 tiros para deter um usuário de drogas tentando furtar? Isso não é legítima defesa — disse.

Desde o ocorrido, a família sempre questionou a versão do militar e pediam imagens do estabelecimento para apurarem a dinâmica dos fatos e foram várias vezes ao DHPP acompanhar como estava o inquérito. Os registros das câmeras só foram encaminhados aos investigadores no dia 29 de novembro. No boletim, o policial afirmou que Gabriel “estava armado, colocando a mão dentro da blusa” e “afirmou estar armado”, o que “obrigou Vinícius a efetuar disparos” contra a vítima. Ele morreu no local. Um atendente do mercado corroborou as falas do PM.

Com informações de O Globo.

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