Juscelino Filho, das Comunicações, afirma que permanecerá no ministério enquanto Lula desejar: ‘Cargo é do presidente’  

Declaração veio após Lula afirmar que, caso ministro seja denunciado no caso em que é investigado sob suspeita de desvio de emendas parlamentares, ele deverá deixará governo

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, afirmou nesta quarta-feira que permanecerá no cargo enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desejar. A declaração veio após Lula afirmar que, caso Juscelino seja denunciado no caso em que é investigado sob suspeita de desvio de emendas parlamentares, ele deverá deixar o governo.

“Eu sou ministro até quando ele (Lula) quiser. Cargo de ministro é de presidente. Até o dia que ele quiser eu vou cumprir a missão que ele me deu com muita honra, trabalhando pelo Brasil, fazendo o que eu estou fazendo com muita tranquilidade. Vou estar me defendendo. Isso aí eu estou muito tranquilo. E no dia que eu deixar de ser ministro vou voltar para o Congresso, ser deputado federal pelo Maranhão, que é pelo que eu fui eleito pelos quatro anos,” disse Juscelino ao ser questionado pelo jornal.

A Polícia Federal indiciou o ministro no último dia 12 por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva em um inquérito que investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares para pavimentação de ruas de Vitorino Freire, no interior do Maranhão. A cidade é administrada por sua irmã, Luanna Rezende, que chegou a ser afastada do cargo no ano passado, mas retomou o mandato após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira vez que um integrante do primeiro escalão do atual governo de Lula foi indiciado.

Questionado nesta quarta-feira se pretendia demitir o ministro, o presidente disse ter conversado com Juscelino durante uma viagem ao Maranhão, na última sexta-feira.

“O que eu disse para ele: a verdade, só você que sabe. Se o procurador indiciar você, você sabe que tem que mudar de posição. Enquanto não houver indiciamento, ele fica como ministro; se houver indiciamento, ele será afastado (…) Eu quero que ele seja julgado da forma mais honesta possível,” afirmou o presidente em entrevista ao portal UOL.

Em nota divulgada no dia do indiciamento, Juscelino criticou a investigação e afirmou que “apenas indicou emendas parlamentares para custear obras”. “A licitação, realização e fiscalização dessas obras são de responsabilidade do Poder Executivo e dos demais órgãos competentes”, pontuou. Segundo ele, a “investigação revira fatos antigos e que sequer são de minha responsabilidade enquanto parlamentar”. “O indiciamento é uma ação política e previsível, que parte de uma apuração que distorceu premissas, ignorou fatos e sequer ouviu a defesa sobre o escopo do inquérito”, disse.

A emenda parlamentar investigada pela PF foi indicada por Juscelino quando ele era deputado federal, ou seja, antes de assumir o cargo de ministro. O dinheiro foi enviado por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) do Maranhão. Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que 80% da estrada custeada pela emenda beneficiou propriedades dele e de seus familiares na região.

A obra de pavimentação da estrada foi orçada em R$ 7,5 milhões e realizada pela Construservice, que tinha como sócio oculto, segundo a investigação, o empresário Eduardo José Barros Costa, mais conhecido como “Eduardo DP” ou “Imperador”. Ele nega irregularidades. Ao longo do inquérito, a PF teve acesso a mensagens trocadas entre Juscelino e o empresário.

Em uma conversa de 18 de janeiro de 2019, Juscelino passa ao interlocutor o nome de uma pessoa e indica o valor de R$ 9,4 mil. No dia seguinte, Costa responde com um recibo de depósito efetuado. O empresário ainda troca mensagens com seu irmão, responsável por sua movimentação financeira, explicando o pagamento.

“Isso é do Juscelino, lá de Vitorino, o deputado. Faz isso aí, que a terraplanagem daquela pavimentação quem fez foi ele. É para descontar, viu?” diz Eduardo ao parente em uma mensagem de áudio.

Com informações de O Globo.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading