O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os juros elevados no Brasil não são consequência da política fiscal adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao programa Roda Viva, exibido nesta segunda-feira (4), ele defendeu o uso de políticas públicas específicas, como o programa Desenrola, para estimular a economia e enfrentar crises pontuais.
“Não acho que o fiscal seja a razão do juros altos no país”, afirmou o ministro, ao rebater críticas sobre um possível excesso de estímulos econômicos. Segundo ele, o histórico recente mostra que houve redução da taxa de juros mesmo em períodos com resultados fiscais mais frágeis.
Durigan argumentou que fatores externos, como a pressão inflacionária causada por conflitos internacionais, têm maior influência sobre o comportamento da taxa básica de juros. Ele citou, por exemplo, a guerra envolvendo o Irã como elemento que dificulta uma queda mais acelerada da Selic.
Políticas localizadas e resposta a crises
O ministro também defendeu a adoção de políticas direcionadas para setores específicos da economia, como forma de evitar impactos mais amplos. Entre os exemplos citados estão medidas adotadas após as enchentes no Rio Grande do Sul e ações relacionadas à guerra comercial com os Estados Unidos.
Segundo ele, essas iniciativas buscam conter efeitos negativos localizados e impedir que crises pontuais se transformem em problemas estruturais.
“Não estamos em um cenário de paraíso fiscal”, disse, ao reconhecer que ainda há desafios econômicos, mas destacou que o governo tem feito esforços para manter a atividade econômica.
Aposta no Desenrola
Durigan destacou ainda o papel do programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas, como instrumento para melhorar as condições financeiras da população e estimular o consumo.
O ministro afirmou que espera que os efeitos da nova fase do programa sejam percebidos em conjunto com a queda dos juros, assim como ocorreu após o lançamento da primeira versão, em 2023.
Segundo ele, o governo incorporou aprendizados da fase anterior, incluindo mudanças para facilitar o acesso à plataforma e permitir que instituições financeiras busquem diretamente os devedores.
Outra inovação mencionada foi a possibilidade de restringir gastos com apostas para pessoas que aderirem ao programa, como forma de incentivar o equilíbrio financeiro.
Desafios e cenário econômico
Durigan ressaltou que não há solução única para os desafios fiscais do país e que é necessário combinar diferentes estratégias para melhorar as condições econômicas.
Ele também alertou para o risco de aumento da inadimplência, associado à retomada da alta dos juros em 2024, e reforçou a importância de políticas públicas para evitar o agravamento desse cenário.
Ao defender a continuidade das medidas econômicas, o ministro afirmou que o objetivo do governo é melhorar a qualidade de vida da população e evitar retrocessos sociais.






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