Cresce a aposta entre economistas de que o país pode registrar deflação em junho. Impulsionados por fatores como a previsão de queda nos preços dos automóveis e a inflação controlada nos alimentos, especialistas vislumbram a possibilidade de uma queda mensal no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), algo que não ocorre desde setembro de 2022.
O otimismo dos economistas foi impulsionado pelos resultados positivos do IPCA de maio, com alta menor do que o esperado. Os dados do IPCA-15 de maio já haviam indicado tendência de desaceleração dos preços, registrando aumento de apenas 0,51%, abaixo das expectativas. A confirmação veio com o resultado final do IPCA de maio, que apresentou uma alta de apenas 0,23%, muito abaixo da projeção de 0,33%.
Esses resultados levaram várias instituições a revisar suas estimativas para o IPCA de 2023, aproximando-as de 5% ou até mesmo abaixo desse valor.
Os economistas destacam que a abertura do IPCA demonstrou uma melhora na composição dos preços. Andréa Angelo, economista-chefe para inflação da Warren Rena, afirmou que a casa revisou sua projeção para o ano de 5% para 4,8% e espera uma deflação de 0,09% em junho. O Barclays estima que o índice fique próximo de zero no mês.
Essas projeções estão baseadas na expectativa de uma possível deflação nos alimentos em domicílio, impulsionada pela produção recorde e pela queda dos preços agrícolas no atacado. Além disso, esperam-se variações negativas nos preços dos transportes, devido a um programa governamental que prevê a redução temporária nos preços de alguns veículos novos.
No entanto, os economistas ressaltam que ainda há incertezas sobre o impacto total desse programa nos índices de inflação nos próximos meses. Porém, acredita-se que sua natureza temporária deve ter efeitos neutros em 2023.
Apesar das expectativas de deflação, os especialistas alertam para possíveis riscos, como a recente mudança no cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a gasolina, que pode influenciar os preços dos combustíveis nas próximas semanas. Além disso, a reoneração total dos impostos federais, prevista para julho, também pode impactar a inflação.
Junho deverá representar o ponto mais baixo da inflação acumulada em 12 meses, passando de 3,94% em maio para 3,12%, segundo as estimativas da Warren Rena. No entanto, espera-se uma retomada da inflação, chegando a 4,04% em julho e voltando a ultrapassar 5% em setembro, conforme os cortes de impostos eleitoreiros realizados no ano anterior deixarem de impactar os índices.
Com informações do Valor e do 247.





