O juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira foi condenado nesta quinta-feira (12) a 24 anos de prisão pelo assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, morto a tiros em março de 2003 em Vila Velha, na Grande Vitória. A decisão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) incluiu perda do cargo e cassação da aposentadoria, além da decretação da prisão preventiva do réu.
O magistrado era o último acusado a ser julgado pelo crime. Desde então, 10 pessoas já foram processadas, incluindo Leopoldo. Nove delas foram condenadas, com penas variando de 8 a 25 anos, envolvendo executores e intermediários, informa o g1.
Crime motivado por atuação contra o crime organizado
O Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) apontou que o assassinato foi motivado pela atuação de Martins no combate ao crime organizado. À frente da 5ª Vara Criminal de Vitória, o magistrado identificou um esquema de facilitação ilegal de benefícios a presos, o que teria levado à sua morte.
O julgamento durou cerca de oito horas, sob presidência do desembargador Fernando Zardini Antonio. Após exposição das teses de acusação e defesa, o relator, desembargador Fábio Brasil Nery, votou pela condenação, seguida unanimemente pelos demais integrantes do colegiado.
Pai da vítima e defesa do réu se manifestam
Alexandre Martins, pai do juiz assassinado, compareceu à sessão vestindo o terno do filho e destacou a longa espera pelo desfecho. “São 23 anos de espera… mas eu tenho a certeza que hoje teremos uma decisão exemplar”, afirmou. Após a condenação, disse que a sentença representa uma lição para a sociedade: “A Justiça pode tardar, mas ela vem”.
A defesa de Antônio Leopoldo, por meio do advogado Fabrício Campos, alegou falta de provas diretas de participação do réu no crime. “A acusação não especifica como ele contribuiu, se reuniu pessoas ou prometeu vantagem”, declarou.
Processo durou mais de duas décadas
Martins foi assassinado ao sair de uma academia no bairro Itapoã, aos 32 anos, durante missão especial de combate ao crime organizado. O processo se estendeu por mais de 20 anos, atravessando diversas instâncias da Justiça. A última condenação anterior relacionada ao caso havia ocorrido em 2015.
Para o MP-ES, a morte de Alexandre Martins não foi um ato isolado, reforçando a tese de que Leopoldo Teixeira participou como mandante do homicídio qualificado, enquadrado nos incisos I e V do Artigo 121 do Código Penal.





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