A agente de saúde Juliana Leite Rangel, de 26 anos, teve uma piora em seu quadro nas últimas 24 horas. A paciente voltou a ter febre e apresentou sinais clínicos e laboratoriais de novo quadro infeccioso, necessitando retornar a medicação para controle de pressão arterial, diz o boletim do Hospital municipalizado Adão Pereira Nunes divulgado na manhã desta quarta-feira.
“A direção do HMAPN informa ainda que a paciente segue respirando através da traqueostomia, retornando para ventilação mecânica nesta terça-feira (07/01), sob sedação leve, além de ajustes no tratamento da infecção. Do ponto de vista neurológico, não apresentou novos sintomas, sem novos déficits e sem necessidade de nova abordagem neurocirúrgica. O processo de reabilitação precisou ser interrompido devido ao agravamento do quadro infeccioso”, afirma o boletim.
O informe continua: “A paciente segue em terapia intensiva, em acompanhamento pelo serviço de neurocirurgia, psicologia, em conjunto com equipe multidisciplinar. Sem previsão de alta do CTI”.
Juliana foi baleada por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na noite do dia 24 de dezembro, durante uma abordagem. A jovem vinha apresentando melhoras diárias, segundo os médicos, interagindo com o ambiente, mexendo os quatro membros e recuperando as funções motoras e cognitiva, sem demonstrar ter ficado com sequelas.
Reconstituição
A Polícia Federal fez, na tarde desta terça-feira, a reconstituição da abordagem em que Juliana foi baleada. Foi por volta das 13h, na Rodovia Washington Luiz, pista sentido Rio. A corporação está à frente das investigações sobre o episódio.
Relembre o caso
Juliana estava no carro com a família, a caminho de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, quando o veículo foi atingido por agentes da PRF. Com ela, estavam o pai Alexandre da Silva Rangel, de 53 anos, baleado na mão esquerda, a mãe Deyse Rangel, de 49, o irmão mais novo, de 17 anos, a namorada dele e um cachorrinho.
A família afirma que foram disparados cerca de 30 tiros contra o carro. Segundo Deyse, os agentes da PRF só ensaiaram algum socorro após a intervenção de um policial militar: foi ele quem constatou que Juliana ainda estava respirando.
— Quando paramos, eles viram que fizeram besteira. Aí, do nada, uma patrulha da PM apareceu, perguntou o que estava acontecendo, e um policial pediu para checar a minha filha. Ele falou para mim que ela ainda estava respirando. Os agentes da PRF não fizeram nada, não tentaram socorrer, ficaram perdidos andando de um lado para o outro. Depois disso, eles botaram a Juliana no carro e a levaram para o hospital — lembra ela. — Vi a minha filha com a cabeça coberta de sangue. Eu me desesperei na hora, só sabia gritar. Fui para cima dele (agente da PRF) e falei: “Você matou a minha filha, seu desgraçado”. Ele deitou no chão, começou a se bater, pulando, mostrando que fez besteira.
Agentes foram afastados
Os policiais rodoviários envolvidos na abordagem prestaram depoimento para esclarecer o que aconteceu na divisão da Polícia Federal de Nova Iguaçu na manhã seguinte à abordagem.
Em nota, a PRF informou que a Corregedoria-Geral da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília, determinou a abertura de um procedimento interno para apurar os fatos relacionados à ocorrência. Segundo a corporação, os agentes envolvidos foram afastados “preventivamente de todas as atividades operacionais”.
“A PRF lamenta profundamente o episódio. Por determinação da Direção-Geral, a Coordenação-Geral de Direitos Humanos acompanha a situação e presta assistência à família da jovem Juliana. Por fim, a PRF colabora com a Polícia Federal no fornecimento de informações que auxiliem nas investigações do caso”, disse a nota.
Com informações de O GLOBO.





