Um dos principais articuladores da campanha vitoriosa do PT em 2002, o ex-ministro José Dirceu completou 76 anos ontem (16) em plena atividade política.
Acompanhado a distância regulamentar pelo ex-presidente Lula, Dirceu tem se reunido com políticos de diferentes matizes ideológicas para pregar unidade suprapartidária contra a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).
A reportagem é da Folha.
A lista de interlocutores inclui velhos adversários do PT, como o ex-senador e ex-presidente do extinto PFL Jorge Bornhausen (SC) e o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), de quem é amigo.
Chefe da Casa Civil no primeiro governo Lula, Dirceu foi recebido para um almoço na casa de Aloysio Nunes. À mesa, também estava o ex-ministro tucano Artur Virgílio Neto (AM).
Dirceu ressaltou que não está trabalhando na camanha de Lula. Mas depois daquele almoço, Aloysio Nunes se reuniu com o ex-presidente.
Em Santa Catarina, quando esteve com Bornhausen, o ex-ministro se encontrou com o ex-deputado Jorge Boeira, que não só votou pelo impeachment de Dilma, mas também pela cassação do mandato de Dirceu como deputado federal.
O impeachment não foi tema da conversa, mas Boeira tomou a iniciativa de mencionar seu voto pela cassação. O ex-deputado diz que se surpreendeu com a resposta do ex-ministro.
“Esperava uma mágoa, um cidadão amargurado. Mas ele disse: ‘Passou. Vamos discutir o Brasil daqui para frente’”, lembra Boeira.
Petistas duvidam que Dirceu tenha delegação expressa para falar em nome de Lula. Mas admitem que nem mesmo Lula teria coragem de desautorizá-lo. Além disso, o ex-ministro poderá ser recrutado para conversas com quem a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), não tenha canal de comunicação.
Nas conversas, Dirceu insiste no diálogo com políticos do que chama de direita democrática.






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