Jornalismo inescrupuloso e bolsonarismo radical tentam destruir a atriz Klara Castanho

O jornalismo sem escrúpulos e o bolsonarismo desumano tentaram destruir a vida de uma jovem que foi vítima de estupro e que não queria que sua história se tornasse pública. Fizeram o contrário: expuseram-na à execração e impuseram a ela a repetição do duplo sofrimento que já havia enfrentado – com o abuso sexual e…

O jornalismo sem escrúpulos e o bolsonarismo desumano tentaram destruir a vida de uma jovem que foi vítima de estupro e que não queria que sua história se tornasse pública. Fizeram o contrário: expuseram-na à execração e impuseram a ela a repetição do duplo sofrimento que já havia enfrentado – com o abuso sexual e com o drama psíquico gerado pela decisão difícil de não ficar com a criança gerada pela violência de um bandido.

Diante dos boatos que o jornalista começou a espalhar e diante da agressão cometida pela influenciadora bolsonarista, que passou a acusá-la de criminosa, a jovem preferiu contar a história mais sofrida de sua vida, que pretendia ter mantido para si.

O jornalista se chama Leo Dias e trabalha para o site Metrópoles, que retirou a notícia do ar, mas quando já havia viralizado nas redes sociais.

A bolsonarista de extrema-direita é Antônia Fontenelle.

A vítima da violência dos dois é Klara Castanho, uma jovem e talentosa atriz de apenas 21 anos.

[Hoje à tarde, o site Metrópoles publicou um pedido de desculpas, assinado por sua editora-chefe Lilian Tahan, que afirma:

“Sobre o episódio de Klara Castanho, erramos. O Metrópoles não deveria ter permitido que o colunista Leo Dias, que publica suas colunas no portal, desse detalhes sobre o triste caso envolvendo uma mulher em situação de extrema vulnerabilidade.

“Em relação à Klara Castanho, praticamos mau jornalismo.”]

A história aqui relatada está no Globo online e no DCM.

A atriz Klara Castanho, de 21 anos, revelou em uma carta aberta ontem que foi estuprada e colocou a criança para adoção. Logo em seguida, famosos e colegas de profissão da atriz usaram as redes sociais para manifestar solidariedade à atriz.

“Esse é o relato mais difícil da minha vida. Pensei que levaria essa dor e esse peso somente comigo. No entanto, não posso silenciar ao ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva e de um trauma que eu sofri. Eu fui estuprada”, relatou a Klara, que viu seu nome entrar para os trending topics do Twitter depois que um colunista publicou que ela tinha engravidado e doado o bebê. O relato de Klara foi postado em seu perfil no Instagram.

“Não estava na minha cidade, não estava perto da minha família, nem dos meus amigos. Estava completamente sozinha. Não, eu não fiz boletim de ocorrência. Tive muita vergonha, me senti culpada. Tive a ilusão que se eu fingisse que isso não aconteceu, talvez eu esquecesse”, contou Klara.

Na carta aberta, Klara afirma que demorou a descobrir a gravidez por não ter surgido mudanças físicas ou hormonais. No entanto, buscou um hospital por passar mal e descobriu a gestação. Ela ainda denunciou um segundo abuso: mesmo revelando o estupro ao médico, ouviu que 50% do DNA eram dela e que, por isso, ela seria obrigada a amá-lo.

“Contei ter sido estuprada expliquei tudo o que aconteceu. O médico não teve nenhuma empatia por mim. Eu não era uma mulher grávida que estava grávida por vontade e desejo, eu tinha sofrido uma violência. E mesmo assim esse profissional me obrigou a ouvir o coração da criança, disse que 50% do DNA eram meus e que eu seria obrigada a amá-lo”.

Segundo a atriz, no dia do parto, logo após o nascimento, ela já foi ameaçada pelo risco de o caso se tornar público – por lei, é um direito da vítima e do bebê o segredo de Justiça.

Eu, ainda anestesiada do pós-parto, fui abordada por uma enfermeira que estava na sala de cirurgia. Ela fez perguntas e ameaçou: ‘Imagina se tal colunista descobre essa história’. (…) Quando eu cheguei no quarto, já havia mensagens do colunista, com todas as informações. Ele só não sabia do estupro. Eu ainda estava sob o efeito da anestesia. (…) Conversei com ele, expliquei tudo que tinha me acontecido. Ele prometeu não publicar”.

Mas publicou.

Veja as manifestações de solidariedade e apoio a Klara Castanho:

Paolla Oliveira, atriz

“Filhota, você é mto especial e eu estarei sempre ao seu lado. Você é maior do que qualquer um ou uma que queira se promover ou promover o ódio com seu nome. Amo você. Sinta meu abraço. Sinta-se acolhida por todos que te respeitam. É o que importa sempre, focar no respeito, amor e na justiça”

Fabíula Nascimento, atriz

“Klara, Sinto muito por toda essa violência. Sinto muito. Estou aqui pra você”

Duda Reis, atriz

“Klara não cometeu NENHUM crime, e quem está julgando a garota, meu mais sincero: vai tomar no **. Quem cometeu crime foi o estuprador!!!!!!!!!!!! Espero que ela esteja muito amparada nesse momento e rodeada das pessoas que a amam. Muito triste…dói na alma. Nossa, to muito triste e com ânsia vendo tudo. É impossível você ver uma mulher ferida, e ficar bem com isso. A sociedade e a mídia revitimizam a mulher o tempo inteiro, violam a mulher sem parar. Acabei de entrar e ver o triste e doloroso relato da Klara. Que ódio que tenho desses ‘jornalistas’ expondo uma ferida MUITO profunda de uma mulher. Essa dor é irreparável, o trauma é pra sempre. E bonito as pessoas do próprio hospital vazando a história da Klara por views e cliques! Esses cidadãos, ao repassarem essa notícia, só esqueceram de notificar o principal: a gravidez foi fruto de uma VIOLÊNCIA SEXUAL. O ser humano é podre. Estou estarrecida. A mulher não tem UM dia de paz. Transformar uma situação de abuso sexual em sensacionalismo, é PODRE. O ser humano é podre. Que tristeza, que dor no peito. Parabéns por julgarem as pessoas sem saberem o que acontece! A internet não mostra nem 10% da realidade”

Maisa Silva, atriz e apresentadora

“Te amo pra sempre, estou com você”

Rosane Svartman, diretora e roteirista

“Bizarro e revoltante você se sentir obrigada a se explicar. E conte comigo pro que precisar”

Bic Müller, influencer

“Meu amor, estou em prantos aqui lendo seu relato. Sinto tanto tanto que você tenha passado por isso tudo. Não consigo calcular sua dor de ver essa história sendo deturpada é usada por gente má. Estou aqui, sinta todo o amor do mundo”

Ana Hikari, atriz

“Nenhuma mulher deveria ser obrigada a expor uma violência que passou se não é da vontade dela. Isso que tá rolando é um absurdo. Eu tô puta, inconformada. Se você é estuprada, você sofre a violência do estupro, sofre a violência das instituições, sofre a violência da sociedade, sofre violência da mídia… tudo. Não importa se você interrompe a gravidez ou se você faz o parto e entrega pra adoção. O que importa é que você é mulher”.

Jean Wyllys, jornalista e escritor

“Você é uma pessoa admirável! Lamento por todo horror que você passou. E te desejo muita força e saúde para seguir lidando com os danos dessa violência e da violência perpetrada pela imprensa de celebridades e as mídias sociais”

Sophia Abrahão, atriz e apresentadora

“Sinto muito que você tenha passado por isso. Tô em choque e muito triste por terem feito você relembrar e reviver toda essa dor. Sinta-se acolhida! Sinta-se amada! Muita força pra você e pra sua família! Conta comigo para o que você precisar”

Zezé Motta, atriz

“Toda a minha solidariedade e apoio para a Klara Castanho. É revoltante o tamanho da falta de empatia. Ninguém tem o direito de expor a dor de ninguém. Força, amada!”

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