Uma quadrilha especializada em assaltos a residências de alto padrão tem espalhado temor em bairros nobres da capital paulista com uma sequência de invasões rápidas e violentas. Conhecida como “gangue do Minotauro”, o grupo é liderado por Diego Fernandes de Souza, de 40 anos, e já é apontado pela Polícia Civil como responsável por ao menos 30 roubos com o mesmo padrão desde 2021. A reportagem é do Estadão.
As investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) revelam que os alvos preferenciais do bando são mansões localizadas em áreas com imóveis vazios ou próximos a obras, como Cidade Jardim, Morumbi e Jardim Paulista. As ações acontecem de madrugada e envolvem rendição de seguranças, funcionários e moradores ainda dormindo. Em questão de minutos, são levados joias, relógios de grife, dinheiro em espécie e eletrônicos.
Em um dos ataques mais recentes, em abril, a gangue invadiu uma casa na Rua General José Scarcela Portela, no Morumbi. Segundo boletim de ocorrência, os assaltantes levaram 13 relógios de luxo — entre eles, sete Rolex e três Patek Philippe —, além de cerca de US$ 5 mil e dezenas de joias. A entrada foi feita com o auxílio de escadas e o corte de sistemas de segurança, como cerca elétrica amarrada com cadarços e portões desparafusados.
“Às vezes eles saem só com uma ‘mochilinha’ nas costas, com joias e relógios, sem chamar atenção. Focam em objetos que hoje não perdem tanto valor na venda”, explicou o delegado Fabio Sandrin, titular da 4ª Delegacia do Patrimônio. Segundo ele, itens roubados costumam ser desmanchados e vendidos pelo valor das pedras ou do metal precioso.
Outro caso marcante ocorreu em dezembro do ano passado, em uma mansão na Cidade Jardim. Quatro homens armados, usando moletons pretos com capuzes, invadiram a casa e fugiram levando dezenas de anéis, brincos, pulseiras de ouro e colares, além de iPhones, videogames e cartões bancários.
A Polícia Civil suspeita que a base do grupo seja na comunidade de Paraisópolis. Apesar dos esforços, o líder da quadrilha, Diego “Minotauro”, continua foragido, mesmo com prisões decretadas em quatro inquéritos do Deic. Ele começou no crime como “abridor de portas” em furtos menores e, com o tempo, estruturou um grupo dedicado exclusivamente a grandes roubos.
“É uma ação com deslocamento rápido, tanto para a ida quanto para o retorno. A gente prende um ou dois e eles repõem”, relatou Sandrin. Segundo ele, os grupos atuam com divisão de tarefas: alguns rendem vítimas, outros coordenam a busca por objetos e há ainda quem monitore a rua e cuide da fuga.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, apesar da queda de 26% nos roubos e furtos a residências no estado e 12% na capital no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, as forças de segurança seguem com operações de inteligência e monitoramento contra quadrilhas especializadas.
Outros ataques recentes aumentaram a sensação de insegurança em regiões de elite. No último dia 25, uma casa no Jardim Paulista foi invadida em plena luz do dia. Cinco homens entraram na residência por meio do portão da garagem, renderam as duas funcionárias e a moradora, e fugiram levando um cofre com joias estimadas em R$ 1 milhão, um Rolex Daytona de R$ 500 mil, além de bolsas de grife, eletrônicos e uma espingarda antiga.
A vítima relatou que os criminosos chegaram a fazer ameaças com base em informações pessoais, como o nome e o endereço da mãe dela. Após o crime, a fuga foi realizada com dois veículos, sendo um deles da própria vítima.
No dia seguinte, um suspeito de 28 anos foi preso graças à localização de um fone de ouvido levado da residência. Identificado como Anderson Abraão Martins Braga Santos, ele confessou o crime após ser confrontado com imagens de câmeras de segurança. Com ele, foram apreendidos R$ 9,8 mil em espécie e itens ligados ao roubo.
As investigações seguem para identificar outros integrantes do bando. A Polícia Civil reitera que atua com reforço do patrulhamento e inteligência policial para combater esse tipo de crime, que, apesar de estatisticamente menos frequente, tem grande impacto psicológico sobre as vítimas.
“Casa é lugar de intimidade. Muitos atendidos no Deic ficam traumatizados e não querem mais voltar para a residência”, diz Sandrin. Atualmente, cerca de 20 agentes trabalham exclusivamente no combate a furtos e roubos em domicílios na 4ª Delegacia do Patrimônio.





