Se os brindes no réveillon passaram do ponto, o início do ano pode ser uma boa oportunidade para repensar hábitos. A campanha internacional conhecida como Janeiro Seco, ou Dry January, convida pessoas a interromperem totalmente o consumo de bebidas alcoólicas durante o primeiro mês do ano, aproveitando o momento de renovação pessoal que costuma marcar janeiro. A proposta vai além de um desafio pontual e busca estimular uma relação mais consciente com o álcool.
Segundo foi explicado em reportagem do portal Metrópoles, a iniciativa sugere uma pausa completa de 31 dias sem ingestão de bebida alcoólica. Especialistas dizem que esse intervalo pode funcionar como um período de leve desintoxicação do organismo para consumidores habituais e também como um teste para avaliar a dependência do álcool na rotina. Para alguns, a experiência acaba se transformando em um incentivo para prolongar a redução do consumo ao longo do ano.
O que muda ao ficar um mês sem beber
“Ao ficar um mês sem beber, há um aumento da capacidade de concentração, do nível de energia para o dia a dia e até uma melhora da qualidade do descanso, já que apesar de trazer uma sensação de relaxamento e sonolência, o álcool compromete a arquitetura do sono, tornando-o menos reparador”, explica ao portal Metrópoles o médico do esporte Francisco Tostes, do Instituto Nutrindo Ideais, no Rio de Janeiro.
Segundo o especialista, os efeitos variam conforme a frequência e a quantidade de álcool consumidas antes da pausa. Pessoas que bebem regularmente e em maior volume podem sentir irritação ou desconforto nos primeiros dias. Com o passar do tempo, esses sinais tendem a diminuir, dando lugar a melhorias graduais. Já quem consome álcool de forma esporádica costuma perceber benefícios mais rapidamente, como mais disposição e melhora do humor.
Além dos efeitos percebidos no curto prazo, o Janeiro Seco pode contribuir para a redução de peso, queda da pressão arterial e melhora da função hepática. Esses resultados estão associados à diminuição da sobrecarga metabólica causada pelo álcool no organismo.
Um período para autoavaliação
Especialistas destacam que a experiência também funciona como um termômetro comportamental. A dificuldade em manter a sobriedade ou a ansiedade para compensar o período sem beber com consumo excessivo posterior são sinais de alerta. Ambos podem indicar a necessidade de buscar acompanhamento médico ou apoio especializado.
Reduzir ou até eliminar o consumo de álcool é apontado como uma meta relevante para a saúde coletiva. “Reduzir a ingestão alcoólica reduz o risco de morte prematura diretamente. O álcool está relacionado ao aumento da frequência cardíaca e interferências no sistema de coagulação”, afirma a cirurgiã vascular Márcia Fayad Marcondes, de São Paulo.
Estratégias para manter o propósito
Para aumentar as chances de sucesso, especialistas recomendam identificar gatilhos associados ao consumo, como ambientes ou companhias que estimulam a ingestão de bebidas. Reavaliar esses contextos pode ser decisivo para manter o compromisso ao longo do mês.
A prática regular de atividade física também é indicada como aliada durante o Janeiro Seco. Márcia Fayad Marcondes ressalta que o exercício contribui para o bem-estar geral e ajuda o corpo a lidar melhor com inflamações e inchaços. “Tanto a ingestão moderada quanto a alta podem influenciar os riscos de complicações no sistema cardiovascular, sendo que os padrões de utilização impactam diretamente nesses riscos”, conclui a médica.
Ao final do mês, muitos participantes relatam não apenas ganhos físicos, mas uma nova percepção sobre o papel do álcool em suas vidas, transformando o Janeiro Seco em um ponto de partida para escolhas mais saudáveis ao longo do ano.






Deixe um comentário