Andreas von Richthofen, que herdou R$ 10 milhões dos pais assassinados pela irmã Suzane, está devendo R$ 500 mil em IPTU e condomínios. Ele enfrenta 24 ações na Justiça de São Paulo por não pagar os impostos e as taxas dos imóveis que recebeu. Entre eles, está a mansão onde os pais foram mortos em 2002, vendida por R$ 1,6 milhão, segundo o blog True Crime, em O Globo.
Andreas impediu que Suzane, condenada a 40 anos de prisão pelo crime, ficasse com metade dos bens da família. Ele ganhou o direito de herdar tudo em 2006, após uma disputa judicial.
Duas das casas herdadas por Andreas ficaram fechadas por tanto tempo que foram até invadidas por falsos sem-teto. A principal delas é a casa da Rua Barão de Suruí, na Vila Congonhas, onde a família von Richthofen morou antes de se mudar para a mansão da Rua Zacarias de Góis, onde Daniel e Cristian Cravinhos mataram o casal a pauladas. Essa casa tem três quartos e 300 metros quadrados e está avaliada em R$ 1 milhão. Lá, funcionaram duas editoras, a Magnum, especializada em armas de fogo; e a Etros. Depois que as duas empresas deixaram o imóvel, diversos corretores do bairro procuraram Andreas porque toda semana aparecia gente interessada em comprá-lo. Mas ele recusou todas as ofertas. A casa, sem manutenção, ficou com aspecto de abandonada. Recentemente, uma família se instalou lá clandestinamente.
Ao identificarem o abandono, os falsos sem-teto chamam um chaveiro e entram nas casas sem arrombar portas e portões. Limpam o terreno, fazem reformas, pintam a fachada, mandam ligar luz e água e passam a morar de graça até que alguém reivindique judicialmente a propriedade. No bairro de Campo Belo, onde Andreas tem outras duas casas, invasores já ganharam título de propriedade por usucapião. Trata-se de aquisição de imóvel por meio da posse prolongada, contínua, pacífica e sem oposição, também chamada no Direito Imobiliário de prescrição aquisitiva. O tempo dessa posse pode ser entre 5 e 15 anos.
A usucapião não é o único canal que pode levar Andreas a perder as propriedades herdadas dos pais. A prefeitura da cidade de São Paulo e do município de São Roque o processam por dívidas de IPTU. Só a casa da Barão de Suruí acumula R$ 48.524,07 em tributos atrasados, segundo levantamento feito em novembro de 2023. Essa pendência refere-se ao exercício 2021 e 2022, período em que a casa já estava ocupada por invasores.
Outro imóvel sob risco de ser invadido está localizado na Rua República do Iraque, no bairro Brooklin Paulista. Nesse imóvel funcionava a clínica da psiquiatra Marísia von Richthofen, mãe de Andreas e Suzane von Richthofen. Essa casa geminada de dois pavimentos tem 135 metros quadrados e acumula débito de R$ 20.170,17 até julho de 2023. Andreas chegou a morar no imóvel por alguns anos, época em que cursava Farmácia e Bioquímica na Universidade de São Paulo, entre 2005 e 2015. Esse período inclui um doutorado feito por ele em Química. Segundo vizinhos, Andreas reunia amigos e fazia festas esporádicas no local com outros estudantes mantendo o som alto até a madrugada. No entanto, os vizinhos de porta nunca se queixaram do barulho. “Esse garoto era tão triste que não tínhamos coragem de reclamar quando ele estava se divertindo com os amigos”, disse a dentista Olívia Massaoka, vizinha de porta da casa da República do Iraque.
Outro vizinho de Andreas na República do Iraque é o empresário Allan Zurita. Segundo ele, o irmão de Suzane alternava momentos em que se apresentava bem vestido e comunicativo e outros em que mal falava “bom-dia” e andava com a mesma roupa por até uma semana. Zurita já impediu duas vezes que a casa ao lado fosse invadida. Para não passar a impressão de que o imóvel está abandonado, o empresário pega os boletos deixados pelos carteiros na caixa de correios e paga a conta da luz. Ele também manda limpar o mato que cresce nos buracos da calçada e rente ao portão. “Minha intenção é comprar a casa dele, mas ninguém consegue localizá-lo para fazer a oferta”, diz Zurita.
Segundo amigos de Andreas, ele não pretende se desfazer dos bens porque mantê-los com ele seria uma forma de preservar a memória de Manfred e Marísia. No entanto, ele tem medo que Suzane acesse esses bens, já que o farmacêutico não é casado nem tem filhos, o que torna a irmã sua única herdeira. Ele costuma andar com uma medalha no bolso contendo o brasão da família von Richthofen. O irmão de Suzane acredita que é descendente de Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, piloto de avião conhecido como “Barão Vermelho”, que atuou na Primeira Guerra Mundial e morreu em combate no dia 21 de abril de 1918.
Com informações de O Globo





