O governo iraniano divulgou nesta quinta-feira (12), segundo o 247, um vídeo de inteligência artificial que satiriza o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizando a estética do filme da Disney Divertida Mente. A produção mostra o líder republicano como movido por impulsos de mentira e violência, fazendo referências ao caso Jeffrey Epstein e ao bombardeio à escola de Minab, no sul do Irã, que deixou cerca de 170 mortos, a maioria crianças.
O vídeo, amplamente compartilhado nas redes sociais iranianas, reproduz o formato narrativo do longa-metragem para construir uma sátira política de forte impacto visual. Na cena inicial, Trump responde a perguntas de repórteres sobre o ataque à escola, negando que os EUA mirassem civis no Irã. A narrativa mergulha na mente do presidente, onde figuras semelhantes a diabos pressionam botões com as inscrições “mentira” e “matar”, além de um globo com a palavra “Epstein”.
Conflito entre EUA e Irã se intensifica
O lançamento da peça digital ocorre em meio a um conflito crescente entre os dois países. Desde o início dos ataques norte-americanos ao Irã, em 28 de fevereiro, mais de 1,3 mil pessoas morreram em solo iraniano. Considerando o envolvimento de outros países, o número de vítimas chega a cerca de 2 mil. Os EUA justificam as ações pelo suposto desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã, embora a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não tenha identificado provas de um programa coordenado de armamento.
Do lado iraniano, a postura é de desafio. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, afirmou em sua primeira declaração pública que “o Irã vingará o sangue de seus mártires, manterá o Estreito de Ormuz fechado e atacará bases norte-americanas”, exigindo a retirada de todas as instalações militares dos EUA na região.
Fechamento do Estreito de Ormuz ameaça economia global
O Estreito de Ormuz, corredor estratégico entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico, é responsável por cerca de 20% do petróleo mundial. O fechamento da passagem, anunciado pelo exército iraniano, representa a medida de maior impacto econômico do país, podendo afetar diretamente grandes produtores da Opep e os mercados internacionais.
Os efeitos já se refletem nos preços globais do petróleo, que superaram US$ 100 por barril. Em um pico recente, o barril chegou a US$ 120, embora tenha recuado após declarações otimistas de Donald Trump sobre possível aproximação do fim do conflito. Especialistas alertam para um cenário de aumento de custos, com Teerã chegando a prever barril a US$ 200.
Cresce rejeição à guerra nos EUA
Internamente, a ofensiva militar enfrenta resistência. Pesquisa Reuters/Ipsos de 1º de março aponta que apenas 27% dos americanos apoiam os ataques, enquanto 43% rejeitam e 29% não têm posição definida. A desaprovação inclui metade dos eleitores do próprio partido de Trump e chega a 74% entre democratas.
A sensibilidade econômica também pesa: 45% dos entrevistados afirmaram que reduzirão apoio às operações caso aumentem os preços do petróleo e gasolina. A taxa de aprovação do presidente caiu para 39%, segundo a pesquisa, refletindo pressão de assessores da Casa Branca pelo encerramento das operações militares, de acordo com o Wall Street Journal.






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