Irã intensifica ataques com mísseis contra Israel após negar negociações com Trump

Teerã rejeita diálogo com EUA, amplia ofensiva militar e eleva tensão global

O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel na madrugada desta terça-feira (24), intensificando o conflito no Oriente Médio em meio à negativa de negociações com os Estados Unidos. A ofensiva ocorre um dia após o presidente Donald Trump afirmar que Washington mantinha conversas “muito boas” com Teerã — declaração prontamente desmentida pelas autoridades iranianas.

Segundo militares israelenses, ao menos um míssil atingiu o norte de Israel durante a nova onda de ataques. O lançamento foi confirmado por Teerã por volta das 2h45 GMT (23h45 de segunda-feira em Brasília), marcando mais um capítulo da escalada militar na região.

A fala de Trump também incluiu a suspensão de ataques planejados contra a infraestrutura energética iraniana, além de um ultimato para que o país reabrisse o Estreito de Ormuz. O prazo, no entanto, expirou sem avanços diplomáticos, aumentando o clima de incerteza.

Israel mantém ofensiva e amplia ataques no Líbano

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou ter conversado com Trump e reconheceu que os EUA ainda acreditam em um possível acordo. Apesar disso, reiterou que Israel continuará suas operações militares contra alvos iranianos e também no Líbano, como forma de defesa.

Nas últimas horas, Israel lançou novos ataques aéreos contra posições do Hezbollah nos arredores de Beirute. De acordo com autoridades libanesas, ao menos uma pessoa morreu após um bombardeio atingir um apartamento na região de Hazmieh.

A agência oficial libanesa também relatou sete ataques aéreos noturnos nos subúrbios ao sul da capital. Israel declarou que um dos alvos era um integrante da Guarda Revolucionária do Irã.

Irã nega negociações e acusa EUA de manipulação

Autoridades iranianas negaram categoricamente qualquer diálogo em andamento com Washington. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que “não há negociações” e acusou Trump de tentar manipular os mercados financeiro e de petróleo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, reconheceu que mensagens foram intermediadas por países aliados sugerindo interesse dos EUA em negociar o fim da guerra, mas reforçou que nenhuma conversa direta aconteceu.

Trump, por sua vez, afirmou estar em contato com uma autoridade iraniana de alto nível, que descreveu como “razoável”, mas fez novo alerta: caso não haja avanço em até cinco dias, os Estados Unidos poderão intensificar os bombardeios.

Crise energética global e risco ao Estreito de Ormuz

Desde o início do conflito, o Irã tem reagido com ataques a instalações estratégicas e com o bloqueio de fato do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A medida já impacta o mercado global de energia.

O diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alertou que a continuidade da guerra pode desencadear uma crise energética sem precedentes. Segundo ele, as perdas diárias de petróleo podem superar os impactos combinados das crises dos anos 1970 e da guerra na Ucrânia.

Após uma queda superior a 10%, os preços do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira na Ásia, com o barril do tipo Brent novamente ultrapassando a marca de US$ 100.

Escalada regional aumenta número de vítimas e destruição

O conflito já deixou milhares de mortos. Estimativas apontam que mais de 3 mil iranianos morreram, incluindo civis, embora os números não possam ser verificados de forma independente. No Líbano, os ataques israelenses já teriam causado mais de mil mortes e deslocado mais de um milhão de pessoas.

Teerã também ameaçou expandir os ataques para toda a infraestrutura energética e tecnológica dos EUA na região, além de listar possíveis alvos em Israel, como as usinas de Orot Rabin e Rutenberg.

Imagens de satélite divulgadas por empresas de monitoramento mostram destruição significativa em áreas urbanas do Irã, especialmente em Teerã, após dias consecutivos de bombardeios.

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