Uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou a formação de uma “coalizão” entre políticos da Baixada Fluminense e os líderes da milícia. Por meio das quebras de sigilo de telefone, o MP teve acesso à gravação de uma reunião entre a alta cúpula da organização criminosa e pré-candidatos à Prefeitura dos municípios de Nova Iguaçu, Queimados e Seropédica para as eleições 2020.
Estavam na reunião o pré-candidato prefeitura de Nova Iguaçu, Cornélio Ribeiro, a Thaina Cristina Barbosa dos Santos, pré-candidata prefeitura de Mesquita e Jorge Alves Santos, pré-candidato a vereador de Nova Iguaçu. Nas fotos do encontro é possível ver um fuzil na mesa em que o debate acontecia.
Segundo o Ministério Público, os pré-candidatos, já denunciados, prometeram Secretarias de Governo, nomeações para cargos públicos e benefícios em licitações fraudulentas em troca do apoio político em suas campanhas eleitorais. A operação, chamada Epilogue, cumpriu 13 mandados de prisão preventiva e outros 25 de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa conhecida como “milícia do Tandera”.
Segundo as investigações, a organização criminosa é responsável por extorsões, homicídios, ameaças, grilagem de terras, agiotagem, exploração ilegal de areais, lavagem de dinheiro, entre outros crimes, principalmente nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Queimados e Seropédica. Também foram identificados vídeos com cenas de episódios de tortura e execuções sumárias, praticadas de forma cruel.
Danilo Dias Lima, o Tandera, era homem de confiança de Wellington da Silva Braga, o Ecko, com a missão de expandir o território da quadrilha para a Baixada Fluminense, região que hoje domina.
O suspeito traz tatuado no peito o Olho de Tandera, símbolo dos Thundercats, seriado de animação que fez sucesso no Brasil em meados dos anos 80. Além dele, de acordo com informações obtidas pela polícia, seus principais aliados fizeram o mesmo desenho na pele.
Em dezembro de 2020, Tandera rompeu com o grupo e o bando se dividiu. Com a morte de Ecko e a ascensão de Zinho seis meses depois, as duas organizações passaram a realizar ataques mútuos na disputa por território e pelo controle dos negócios. O confronto atingiu o ápice em setembro de 2021, quando — por ordem de Tandera — várias vans foram incendiadas na Zona Oeste, prática que continuou nos meses seguintes.
Com informações do GLOBO.
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