A megaoperação de terça-feira (28), que resultou em 121 mortes e se tornou a mais letal da história do Rio, provocou um fenômeno digital para Cláudio Castro (PL). Nos últimos três dias, o governador ganhou quase um milhão de novos seguidores em seu perfil no Instagram.
Antes da Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28), o governador possuía cerca de 460 mil seguidores na plataforma. Até o início da noite desta sexta-feira (31), o número já estava na marca de 1,4 milhão. O crescimento foi celebrado por aliados. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), parabenizou Castro publicamente, afirmando que “esta é uma prova que a população está ao seu lado”.
O próprio governador tem defendido publicamente a ação. Castro classificou a operação como um “sucesso” e, ao lamentar a morte dos quatro policiais civis, declarou: “Aquelas foram as verdadeiras quatro vítimas que tivemos ontem. De vítima ontem lá, só tivemos os policiais”.
Popularidade refletida em pesquisas
O fenômeno nas redes sociais do governador parece refletir uma aprovação à estratégia de confronto, conforme apontam duas pesquisas de opinião divulgadas nesta semana.
Um levantamento do instituto AtlasIntel aponta que 87,6% dos moradores de favelas cariocas e 80,9% dos moradores de favelas em todo o país apoiariam a megaoperação. Na população geral da capital, a aprovação foi de 62%. A pesquisa também mostrou que a maioria dos entrevistados considerou o nível de violência empregado como “adequado”. Entre os moradores de favelas cariocas, 89,5% classificaram a atuação como proporcional, contra 10,5% que viram exagero.
Outra pesquisa, encomendada pelo Correio da Manhã e realizada pela Arrow Pesquisas, mostrou que 68,85% da população fluminense seria favorável à ação, contra 24,43% que em desacordo. O apoio foi ainda maior no interior do estado (70,78%) do que na capital (66,92%). Questionados sobre o sentimento predominante, 41,92% dos entrevistados pela Arrow disseram sentir “esperança”, e 21,91%, “alívio”. Outros 18,91% relataram “medo”, e 17,25%, “revolta”.
Repercussão política
A ofensiva de Castro também teve desdobramentos políticos. Na noite de quinta-feira, o governador anunciou a criação de um “consórcio da paz” com governadores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em reunião no Palácio Guanabara. O grupo, que inclui nomes como Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG), Tarcísio de Freitas (SP) e Jorginho Mello (SC), defendeu a ampliação de operações conjuntas e criticou o governo federal por suposta omissão na área de segurança.
A iniciativa reforça a tentativa de Castro de se projetar nacionalmente e capitalizar o apoio obtido após a operação. Nos bastidores, aliados avaliam que o crescimento nas redes e o alinhamento com outros governadores de direita podem impulsionar o nome do fluminense no bloco conservador para 2026.






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