Imprensa internacional critica como Trump anunciou tarifas ao Brasil, ligando à defesa de Bolsonaro

Carta de Trumps gera repercussão negativa, sendo chamada de “destemperada”

A imprensa internacional repercutiu amplamente o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que os Estados Unidos imporiam uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros a partir do dia 1º de agosto. A decisão foi comunicada por meio de uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e gerou uma série de críticas e análises.

O texto, que contém alegações como “censura” às plataformas de mídias sociais americanas, ataques do Supremo Tribunal Federal (STF) à liberdade de expressão e uma defesa contundente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi considerado “destemperado” por diversos veículos de imprensa internacionais.

O jornal britânico The Guardian, em sua cobertura em tempo real, destacou que a carta de Trump “destoa de anúncios anteriores de tarifas”. Segundo a publicação, as cartas tarifárias anteriores do presidente americano eram quase idênticas, com variações mínimas, mas a mensagem enviada a Lula foi considerada uma intensificação no tom. “Até agora, as cartas tarifárias de Trump têm sido quase idênticas, mudando pouco mais do que os nomes dos países e líderes e as taxas tarifárias, mas a carta destemperada dirigida ao atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, é marcadamente diferente”, escreveu o Guardian, que também traçou uma analogia entre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 no Brasil e a invasão do Capitólio pelos apoiadores de Trump em 2021.

A emissora americana CNBC também criticou a carta de Trump, ressaltando que, ao contrário das cartas anteriores, a correspondência enviada a Lula foi muito mais agressiva. “A carta a Lula vai mais longe do que as restantes, ao impor uma nova taxa de imposto de importação nos EUA explicitamente como punição a um país envolvido em assuntos políticos e jurídicos internos que não agradam a Trump”, declarou o canal em seu site. A CNBC questionou, ainda, as alegações de Trump de que as políticas brasileiras causaram déficits comerciais aos Estados Unidos, apontando que, em 2024, os Estados Unidos registraram um superávit no comércio de bens com o Brasil de US$ 7,4 bilhões.

O The New York Times foi outro a destacar a postura de Trump, observando que sua tentativa de usar tarifas como forma de interferir em um julgamento criminal em outro país exemplifica a maneira como ele vê as tarifas comerciais como um “porrete” a ser usado para atingir adversários políticos. “O esforço de Trump para usar tarifas para intervir num julgamento criminal num país estrangeiro é um exemplo extraordinário de como ele vê os impostos como um porrete que serve para todos”, escreveu o jornal americano.

Enquanto isso, o Financial Times enfatizou que Trump usou a questão das tarifas para defender Bolsonaro, acusando o Brasil de tratar injustamente o ex-presidente brasileiro. Por sua vez, a Bloomberg qualificou a carta como uma “dramática intensificação” da abordagem de Trump em relação ao Brasil, um reflexo de suas “críticas vocais” às políticas internas e externas de Lula.

O impacto das tarifas de Trump no comércio internacional e na relação entre os dois países será um tema central nas próximas semanas, com os analistas aguardando as respostas do governo brasileiro e de outros aliados do Brasil no cenário global. A situação revela também a crescente polarização das relações diplomáticas, onde interesses políticos internos estão se sobrepondo às tradicionais negociações comerciais.

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