(Vídeos) Imperatriz e Viradouro são os destaques na primeira noite do Grupo Especial do Rio

Falhas no som não ofuscaram desfiles marcados por homenagens afro-brasileiras

A primeira noite dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, neste domingo (2), foi marcada pelo brilho da Imperatriz Leopoldinense e da Unidos do Viradouro, que se destacaram com performances emocionantes e tecnicamente impecáveis. A noite também celebrou o retorno da Unidos de Padre Miguel à elite do carnaval carioca e a força histórica da Estação Primeira de Mangueira, ambas com enredos de forte identidade afro-brasileira.

O novo formato, com quatro escolas por noite, trouxe uma dinâmica diferente, permitindo desfiles mais espaçados e sem estouros de tempo. A Mangueira encerrou sua passagem pela Sapucaí às 4h11, antes do amanhecer. Problemas técnicos no som afetaram momentaneamente Unidos de Padre Miguel, Imperatriz e Mangueira, mas foram corrigidos pela Liesa. Pela primeira vez, o tradicional arrastão até a Praça da Apoteose terminou em uma grande roda de samba.

Desfiles do 1º dia:

Unidos de Padre Miguel
Após 52 anos longe da elite, a UPM retornou com o enredo “Egbé Iyá Nassô”, celebrando a trajetória de Francisca da Silva, figura central no candomblé brasileiro. O desfile trouxe um impactante abre-alas com três carros acoplados representando o império de Oyó. A bateria, composta por 40 ritmistas mulheres, reforçou o protagonismo feminino negro. O público vibrou com um dos carros que soltava aroma de colônia, remetendo aos banhos de ervas.

Imperatriz Leopoldinense
Em busca de seu 10º título, a Imperatriz apresentou o enredo “Ómi Tútú ao Olúfon – água fresca para o Senhor de Ifón”, narrando a jornada de Oxalá ao reino de Xangô. O desfile emocionou com alegorias detalhadas e uma bateria que representava Oxalá carregando um fardo de sal, remetendo às provações impostas por Exu. O canto forte da arquibancada evidenciou a força do samba da verde e branco.

Unidos do Viradouro
A atual campeã trouxe a história de Malunguinho, líder do Quilombo do Catucá, em Pernambuco, com o enredo “Malunguinho: o Mensageiro de Três Mundos”. Efeitos holográficos impressionaram ao representar a chave do cativeiro do catimbó. A comissão de frente inovou com drones lançando chapéus em meio a labaredas reais. Erika Januza brilhou como rainha da bateria, que trouxe 282 ritmistas em um ritmo poderoso.

Estação Primeira de Mangueira
Última a desfilar, a Mangueira celebrou a herança banta na cultura carioca com “À Flor da Terra – No Rio da Negritude entre Dores e Paixões”. A comissão de frente mostrou três momentos: a vida na África, a escravidão e o renascimento no Rio, com dançarinos de passinho e pipas em drones. O público cantou o samba do início ao fim, enquanto a bateria mesclava ritmos como funk e macumba, ressaltando a conexão ancestral da verde e rosa.

Próximos desfiles e apuração
Nesta segunda (3), desfilam Unidos da Tijuca, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro e Unidos de Vila Isabel. Na terça (4), será a vez de Mocidade Independente de Padre Miguel, Paraíso do Tuiuti, Acadêmicos do Grande Rio e Portela. A apuração ocorre na Quarta-Feira de Cinzas (5).

Com informações do g1

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