Dados mais recentes do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 69% da população da Baixa Fluminense se declara preta ou parda. Essa posição a coloca como uma das regiões com maior concentração de população negra no estado e no centro-Sul do Brasil.
São mais de 2,4 milhões de pessoas pretas e pardas distribuídas em 13 cidades. Nessa conta, Japeri ocupa o topo do ranking, com 76,6% da população declara pertencer a um dos dois grupos. Em seguida está Belford Roxo com 72,7% e Queimados com 72%.
Para Gabriel de Sousa, de 24 anos, que mora em Nova Iguaçu, quase toda manifestação cultural na Baixada Fluminense reflete a negritude:
— Ela está presente no movimento hip hop, nas rodas culturais e través do carnaval, pelas nossas duas escolas de samba que figuram a bastante tempo no grupo especial e tão sempre levando nosso território para outros lugares — afirma o estudante de história, fazendo referência a Grande Rio e Beija Flor.
Foi no samba também que a técnica de enfermagem Simone Sant’Ana, de 47 anos, disse ter entendido “o seu valor”. Moradora de Nilópolis, na Baixada Fluminense, ela lembra com pesar um dos episódios mais escancarados de racismo que viveu como profissional, quando ainda era estagiária e uma paciente não quis ser atendida por ela por ser negra.
— Foi um impacto me entender como mulher negra. Só quando conheci o samba vi que eu realmente tinha valor. O nosso samba gera milhões de emprego, proporciona projetos sociais e de conhecimento da nossa cultura — afirma ela, que é diretora-geral de harmonia da Beija Flor.
Em números absolutos, é a cidade de Duque de Caxias que ocupa o topo do ranking da população preta da Baixada Fluminense, com 154 mil pessoas. Se somar os pardos no grupo, esse número sobe para mais de 556 mil. Em segundo e terceiro lugar ficam as cidades de Nova Iguaçu e Belford Roxo, com 528 mil e 351 mil, respectivamente.
Em contrapartida, em Paracambi, 39,5% da população se declara como branca. Para fazer um comparativo, em Japeri esse número caí para 23,3%. Mesmo com o maior percentual de pessoas brancas entre as 13 cidades, Paracambi continua tendo a população majoritariamente negra ou parda, com 60,3% (15,7% pretos e 44,6% pardos).
Na pesquisa do IBGE, cada pessoa responde ao instituto a sua percepção sobre a cor ou raça a que pertence, baseado em critérios como origem familiar, cor da pele, traços físicos, etnia e pertencimento comunitário, entre outros. Além disso, o órgão afirma que essas cinco categorias estabelecidas na investigação (branca, preta, amarela, parda e indígena) também podem ser entendidas pelo entrevistado de forma variável.
Para Ana Luiza, o número de pessoas autodeclaradas como negras ou pardas cresceu por uma maior conscientização da população a respeito das questões raciais:
— Acredito que as pessoas estejam se reconhecendo mais como negras em razão do espaço que o movimento negro tem ganhado na mídia e na educação, como, por exemplo, a aprovação de leis que incentivam o ensino de narrativas racializadas nas escolas.
População Indígena
A população indígena tem uma representatividade pequena na Baixada Fluminense: somando as 13 cidades, apenas 2.614 pessoas se declararam pertencentes a etnia no questionário do Censo 2022. Em percentual é de 0,1% em quase todos municípios.
O número de pessoas amarelas também é baixo nas cidades da Baixada Fluminense. O maior índice é de 0,4% na cidade Itaguaí, seguida por Magé e Queimados.
Com informações do GLOBO.





