Entre as vítimas desabamento que ocorreu na noite passada no Morro do Salgueiro, Tijuca, estava um casal que chegou à cidade há somente quatro meses. O homem, identificado até agora somente como Carlos, morreu no local. A esposa foi resgatada e passa por avaliação médica.
Ambos vieram da cidade de Canguaretama, no interior do Rio Grande do Norte, para tentar uma vida melhor na cidade.
— O Carlos e a esposa vieram há 4 meses do interior do Rio Grande do Norte tentar a vida no Rio de Janeiro. Mas, infelizmente, aconteceu essa tragédia. Credito a tragédia à pobreza. As pessoas moram em casas como a que desabou não porque querem. Essa é a opção que elas tem — disse a secretária de Assistência Social Laura Carneiro.
Moradores relatam que quando os Bombeiros chegaram ao local do acidente, a esposa de Carlos pediu, ainda sob os escombros, para os militares salvarem o marido primeiro, pois acreditava que ele estava em pior estado de saúde.
Além do casal, os bombeiros resgataram uma mulher e uma menina de quatro anos, ambas vivas. O incidente ocorreu na Rua Francisco Graça. As vítimas foram levadas para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro e passam por avaliação médica. Segundo o Corpo de Bombeiros, as vítimas resgatadas com vida foram Alecsandra Silva, de 25 anos, Alessandra Silva, de 19 anos e uma menina de quatro anos.
Segundo Laura Carneiro, os outros integrantes das famílias que moravam no imóvel passaram a noite na casa de parentes e já foram atendidas por equipes da prefeitura.
O prefeito Eduardo Paes e o secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevale também estiveram no local e acompanharam o trabalho dos bombeiros. Ao Globo, Paes afirmou que as vítimas já estão sendo acompanhadas por uma equipe da Assistência Social, que irá providenciar o enterro e oferecer aluguel social aos desabrigados.
— Não se sabe se teve um acumulado de chuva muito grande nos últimos dias, e sempre acaba mexendo no solo. A construção era provavelmente frágil. Infelizmente, uma pessoa veio a óbito e três se feriram, uma mais gravemente — contou Paes.
De acordo com o prefeito, um casal que também morava na casa deixou o local pouco antes do acidente.
— Eles saíram cinco minutos antes do acidente, mas disseram que não havia nenhum indício do que poderia acontecer — diz Paes.
Um vizinho que preferiu não se identificar comentou que o barulho assustou toda a vizinhança.
— A casa foi descendo, parecia uma avalanche. O barulho foi muito alto. Quando cheguei aqui, vi a voz da criancinha chorando e da mais velha gemendo de dor. Veio muita gente, começaram a puxar. A criança saiu com vida — contou.
A construção tinha dois pavimentos e uma cobertura. Oito pessoas da mesma família moravam no local, segundo relatos de vizinhos. A construção fica na Rua Francisco Graça, próximo a uma quadra chamada Raízes.
— O prédio fica no meio da comunidade, difícil ser regular. Mas a construção não apresentava aparência de risco — diz o subprefeito da Grande Tijuca, Wagner Coe.
O cabeleireiro Alan Ricardo, de 20 anos, foi um dos primeiros a chegar no local. Ele conta que chegou a ouvir gritos de socorro do homem que morreu.
— Eu estava na varanda da minha casa e consegui ver a casa desabando. Quando cheguei, começamos a gritar para saber se tinha alguém ali. Foi quando o rapaz que morreu gritou dizendo que estava. Ele só conseguia mexer a perna e a boca — conta o morador.
De acordo com o subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Rodrigo Gonçalves, engenheiros estão vistoriando as casas da região para avaliar riscos. Por enquanto, não há previsão de interditar imóveis no entorno.
— Estamos aguardando a perícia da Polícia Civil para entender o que aconteceu. Por conta da geotecnia do local, um relevo que tem talude, as casas têm uma construção mais complexa — afirmou Rodrigo.
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro foi acionado pouco após as 20h. Militares dos quartéis da Tijuca, Vila Isabel, do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), do 1° e do 2° Grupamentos de Socorro Florestal e Meio Ambiente (1° e 2° GSFMAs) trabalham no resgate, com apoio de drones e cães da corporação.






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