O Hamas convocou cerca de 7 mil integrantes de suas forças de segurança para retomar o controle de áreas da Faixa de Gaza recentemente abandonadas pelas tropas israelenses.
A mobilização ocorre no segundo dia do cessar-fogo e ameaça complicar as próximas etapas do plano de paz, que inclui a retirada total de tropas israelenses, a desmilitarização do Hamas e a exclusão do grupo da administração futura do enclave.
Reocupação e nova estrutura de comando
Segundo a BBC, o Hamas nomeou cinco novos governadores para as regiões retomadas — todos com formação militar e experiência no braço armado do grupo. Eles foram designados para supervisionar as operações de segurança e manter o controle sobre áreas estratégicas.
As ordens de mobilização foram transmitidas por ligações e mensagens de texto, instruindo os membros a se apresentarem “em até 24 horas” nos pontos designados, “em resposta ao dever nacional e religioso, para limpar Gaza de foras da lei e colaboradores de Israel”.
A medida vem sendo interpretada por analistas como uma tentativa de reafirmar poder político e militar no território — e pode dificultar o andamento das negociações de paz.
Resistência aos termos do acordo
As conversas entre Hamas e Israel, mediadas por Egito, Catar, EUA e Turquia, seguem em curso no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh. De acordo com o New York Times, o grupo palestino estaria disposto a considerar um desarmamento parcial de suas forças, mas resiste à proposta americana de desmilitarização completa, defendida pelo presidente Donald Trump.
Desde o início das tratativas, o Hamas tem se mostrado relutante em aceitar a reformulação administrativa prevista no plano, que propõe alternativas de governança civil para o enclave após o fim do conflito.
Confrontos internos e desafios de autoridade
Enquanto reocupa Gaza, o Hamas enfrenta disputas com clãs locais que desafiam seu domínio, especialmente no sul da Faixa. A força de segurança Rad’a, ligada ao grupo, foi vista patrulhando as ruas da Cidade de Gaza, em meio a relatos de confrontos no bairro de Sabra entre milicianos e uma família influente.
Imagens divulgadas pelo Ministério do Interior, controlado pelo Hamas, mostram policiais armados com rifles e bonés da corporação, circulando entre civis em mercados locais.
De acordo com autoridades palestinas, grupos rivais aproveitaram o vácuo de poder durante a guerra para saquear depósitos de armas do Hamas e receber apoio logístico de Israel, aprofundando a fragmentação interna do território.






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