Haddad anuncia que pacote de corte de gastos está fechado com Lula e será apresentado ao Congresso esta semana

‘Sai essa semana, mas o dia e a hora dependem mais do Congresso do que de nós’, disse o ministro após a reunião

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (25) que o aguardado pacote fiscal será anunciado ainda nesta semana, mas ressaltou que a definição do dia e horário depende do Congresso Nacional.

— Sai essa semana, mas o dia e a hora dependem mais do Congresso do que de nós — disse o ministro, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele destacou que o encontro com Lula foi decisivo, pois as últimas pendências já foram resolvidas.

Haddad também garantiu que os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, serão informados antes do anúncio oficial, explicando que agora resta apenas cumprir o protocolo de comunicação ao Congresso.

O pacote fiscal incluirá uma proposta de Emenda à Constituição e um projeto de lei complementar. Entre as medidas previstas, destaca-se uma iniciativa para combater os supersalários no Executivo, que têm gerado controvérsia e pressionado o orçamento público.

O pacote deve ser apresentado nesta terça-feira aos líderes do governo no Congresso antes de ser anunciado. As medidas foram discutidas em duas reuniões nesta segunda-feira no Palácio do Planalto com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e quatro ministros.

A reunião de apresentação do pacote nesta terça-feira deve ter a presença do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o líder interino do governo no Senado, Otto Alencar (PSD-BA).

Em meados do mês, o ministro da Fazenda sinalizou à cúpula e a líderes do Congresso que o pacote fiscal em gestação há semanas pelo governo vai prever uma economia entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões em 2025 e de R$ 40 bilhões em 2026, de acordo com pessoas que acompanharam as conversas.

Nesta segunda-feira, as discussões no governo começaram pela manhã em uma reunião de duas horas com as participações de Haddad e dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Esther Dweck (Gestão) e Paulo Pimento, e do secretário executivo do Ministério do Planejamento, Gustavo José de Guimarães e Souza.

Segundo interlocutores, uma das principais medidas para conter o crescimento das despesas é a mudança no critério de reajuste do salário mínimo, que passaria a ser ter ganho real de no máximo 2,5% e no mínimo de 0,6% — o mesmo intervalo de crescimento de gastos do arcabouço fiscal.

Essa mudança tem um impacto gradual, já que considera a base do ano anterior para reajuste. Por isso, o pacote é maior nos próximos anos.

Também faz parte do pacote o avanço do projeto que combate os supersalários, que depende do aval do Congresso, filtro nos programas sociais, realização de pente-fino no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de ajustes nas regras em alguns programas, como abono salarial (PIS), seguro-defeso.

O governo descartou alterações no FGTS. Uma das medidas estudadas era utilizar a multa de 40% dos depósitos do empregador para o fundo nas demissões para custear despesas com seguro-desemprego. Restrições para concessão do seguro-desemprego também estariam descartadas.

Com informações de O Globo.

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