Os agentes da Guarda Municipal do Rio passarão a usar coletes à prova de bala nas ruas. O equipamento, comprado em convênio com o governo federal, foi entregue hoje (25) aos agentes. Em entrevista à rádio CBN, o secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, afirmou que os coletes serão usados pelos agentes, no próximo domingo, durante operação para desmobilizar a Feira de Acari. Esta semana, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, baixou um decreto proibindo a realização do tradicional comércio popular na Zona Norte.
Os 721 coletes serão usados por agentes dos Grupamentos de Operações Especiais e Tático Móvel, além da Ronda Maria da Penha. A aquisição foi realizada a partir de emendas parlamentares da bancada federal fluminense e em convênio com a Secretaria de Gestão e Ensino em Segurança Pública (Segen), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
O convênio prevê ainda a compra de 1.200 sprays de pimenta de 80g e 150 de 450g. O valor total do investimento, segundo a prefeitura do Rio, é de R$ 1.499.784,12. Também foram adquiridas 556 granadas de efeito moral e 510 munições de impacto controlado, conhecidas como bala de borracha, com recursos próprios da GM-Rio, ao custo total de R$ 243.543,38.
Segundo o secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevale, o equipamento de proteção individual se faz necessário já que a Guarda Municipal atua no combate à ilegalidade.
– A Guarda Municipal faz um trabalho diário de fiscalização da ocupação do espaço público e de combate à ilegalidade. E onde tem combate à ilegalidade, em alguns casos, existe uma resistência. O colete balístico é uma forma de proteger os nossos guardas, especialmente aqueles que atuam nas ocorrências das operações mais sensíveis – afirmou.
Os Grupamentos de Operações Especiais (GOE) e Tático Móvel (GTM) atuam em situações emergenciais da GM-Rio como em operações de desapropriações, que oferecem maior risco operacional. Já a Ronda Maria da Penha (RMP) tem como função principal a fiscalização do cumprimento de medidas protetivas expedidas pela Justiça para proteção de mulheres vítimas de violência.
Os novos coletes são do modelo nível IIIA, amplamente utilizado por forças de segurança e foi projetado para resistir a disparos de projéteis de arma de fogo até o calibre 9mm, de alta velocidade (358 m/s), e calibre .357 Magnun de alta velocidade (425 m/s). Sua composição chega a ser cinco vezes mais resistente que o aço e suporta temperaturas de até 400° C.
– A Guarda Municipal, em suas operações, acaba efetuando algumas prisões. Por isso, precisamos dar para os nossos agentes uma proteção individual adequada – disse o comandante da GM-Rio, inspetor geral José Ricardo Soares.
A medida desagradou o Sindicato dos Servidores da Guarda Municipal do Rio de Janeiro. Segundo o vice-presidente da instituição, inspetor Victor Rego Chaves, o uso de coletes à prova de balas transforma os agentes em alvo dos criminosos. Chaves defende o uso de armamento letal para a Guarda Municipal.
– O Rio de Janeiro é uma cidade violenta e ao invés de armar Guarda Municipal para poder realmente combater a criminalidade, o que o prefeito faz é comprar colete balístico? Parece passar a seguinte mensagem para criminalidade: pode atirar em que eu ‘tô’ de colete balístico.
De acordo com o estatuto, a Guarda Municipal é uma força de segurança, integrante do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que atua em apoio às forças policiais dentro de suas atribuições, com foco especial no ordenamento urbano e na coerção a delitos e crimes de menor potencial ofensivo.
Com informações de O Globo.





