Greve dos rodoviários no Rio continua após assembleia terminar em tumulto e rejeição de acordo

Categoria mantém paralisação em meio a impasse nas negociações com empresários, e nova rodada de mediação é marcada para a próxima semana

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro foi mantida nesta terça-feira (30) após uma assembleia marcada por tumulto, divergências internas e ausência de acordo entre trabalhadores e empresários do setor. A decisão prolonga a paralisação iniciada na segunda-feira (29), mantendo a incerteza sobre a normalização do transporte coletivo na capital fluminense.

A assembleia da categoria chegou a aprovar inicialmente uma proposta que previa a suspensão da greve e o retorno ao trabalho a partir desta quarta-feira (1º), sem desconto dos dias parados. No entanto, a decisão provocou forte reação de parte dos trabalhadores, que defendiam a continuidade do movimento, desencadeando um cenário de tensão e confusão.

Após a divulgação do resultado da primeira votação, manifestantes cercaram o carro de som utilizado pelo sindicato e chegaram a arremessar ovos durante o protesto. Diante da insatisfação e da pressão exercida por parte dos presentes, a categoria voltou a deliberar e decidiu manter a greve.

Audiência de conciliação termina sem acordo

Mais cedo, representantes dos trabalhadores e das empresas participaram de uma audiência de conciliação mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), com acompanhamento do Ministério Público do Trabalho. O encontro, entretanto, terminou sem avanços concretos.

O sindicato patronal Rio Ônibus manteve a proposta de reajuste salarial de 4,39%, alegando dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas e redução dos subsídios públicos destinados ao setor. Segundo os empresários, não haveria margem para uma contraproposta superior.

Os representantes dos rodoviários tentaram apresentar uma alternativa intermediária, sugerindo um reajuste dividido em duas parcelas: 8% de aumento imediato e outros 8,3% a serem pagos em novembro deste ano. A proposta, contudo, foi rejeitada pelos empresários.

Primeiro dia foi marcado por transtornos

Na segunda-feira (29), primeiro dia da greve, passageiros enfrentaram espera de até duas horas para embarcar. Terminais e pontos de ônibus registraram filas extensas, enquanto garagens permaneceram com centenas de veículos parados.

No Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, houve tumulto e depredação de grades por passageiros revoltados com a falta de transporte. Em alguns momentos, usuários invadiram corredores exclusivos do BRT.

O Rio Ônibus informou ainda que aproximadamente 50 ônibus sofreram danos durante piquetes realizados no início da paralisação. Nesta terça-feira, porém, não houve registro de novos atos de vandalismo.

Reivindicações permanecem sem consenso

Segundo cálculos apresentados pelo sindicato patronal, a proposta de reajuste de 4,39% elevaria o salário dos motoristas de ônibus convencionais de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31, enquanto os condutores de ônibus articulados passariam de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O vale-alimentação subiria de R$ 660 para R$ 689.

Para os representantes dos trabalhadores, entretanto, os valores propostos não compensam as perdas acumuladas nem atendem às demandas por melhores condições de trabalho. Com as negociações estagnadas e sem consenso sobre uma proposta intermediária, a continuidade ou suspensão da greve dependerá das deliberações da categoria nos próximos dias.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo