O governo argentino enfrenta desde meio dia desta quinta-feira (19) sua quarta greve geral durante o mandato do presidente de extrema-direita Javier Milei. A paralisação coincide com a votação na Câmara dos Deputados de uma polêmica reforma trabalhista, já aprovada pelo Senado na semana passada.
Convocada pela principal central sindical do país, a greve teve início às 12h01 (horário local) e deve durar 24 horas. Os sindicatos qualificam as mudanças propostas como “regressivas”, alertando para o risco de perda de direitos trabalhistas conquistados ao longo de décadas.
O movimento ocorre em um cenário econômico delicado, marcado pelo fechamento de mais de 21 mil empresas nos últimos dois anos e a perda de cerca de 300 mil empregos, segundo dados sindicais.
Impacto nos empregos e indústria local
Um dos casos recentes que ilustram a crise é o da fabricante de pneus Fate, que anunciou o fechamento da unidade em Buenos Aires e a demissão de mais de 900 trabalhadores, atribuindo a decisão à queda na competitividade e à abertura indiscriminada das importações.
“Queremos dizer ao governo que o povo votou para que seus direitos não fossem retirados”, afirmou Cristian Jerónimo, co-líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), antecipando que a greve seria “enérgica”.
A última greve geral da CGT ocorreu em 10 de abril de 2015, com adesão desigual entre os trabalhadores, especialmente no transporte público.
Transporte e voos severamente afetados
Desta vez, a paralisação visa esvaziar ruas nos principais centros urbanos, com sindicatos de transporte de passageiros aderindo ao protesto desde o início.
Aeronaves também foram impactadas: 255 voos foram cancelados, prejudicando cerca de 31 mil passageiros, segundo informações da Aerolíneas Argentinas.
Além disso, trabalhadores portuários interromperam atividades em terminais estratégicos, como o de Rosário, um dos maiores exportadores agrícolas do país, ampliando o efeito da greve sobre a economia nacional.






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