O Palácio do Planalto encomendou pesquisas de opinião para medir os impactos políticos da tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. A medida, aprovada recentemente pelo Congresso americano, deve atingir em cheio setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio e a indústria.
A informação é do colunista de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, e confirma que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está atento não apenas às consequências econômicas da medida, mas também à sua repercussão política.
O objetivo das sondagens é compreender como a população enxerga o episódio e calibrar a resposta pública e institucional do governo. A avaliação no Planalto é que a taxação pode ser usada como ferramenta de comunicação para associar a medida ao alinhamento ideológico entre Trump e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Desde o anúncio da sobretaxa, ministros da articulação política passaram a se manifestar nas redes sociais. Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, publicou: “Enquanto Lula quer taxar os super-ricos, Bolsonaro quer taxar o Brasil”. Já Sidônio Palmeira, secretário de Comunicação da Presidência, afirmou que “a irresponsabilidade bolsonarista está custando caro ao país”.
Segundo o Metrópoles, a estratégia do governo é transformar um revés comercial em ativo político. A equipe de comunicação do Planalto acredita que há espaço para responsabilizar Bolsonaro pelo atual desgaste nas relações bilaterais, especialmente devido à sua proximidade com Trump e à tentativa de influenciar as eleições americanas de 2020.
Os dados das pesquisas deverão orientar entrevistas, discursos e até campanhas institucionais. O foco será reforçar a imagem de Lula como um presidente comprometido com a soberania e os interesses nacionais, em contraste com a política externa considerada submissa adotada pela gestão anterior.
Dentro do governo, há a percepção de que a narrativa pode encontrar eco em segmentos impactados pela nova tarifa. A depender do resultado das sondagens, a ofensiva contra Bolsonaro poderá ser intensificada, utilizando o episódio como símbolo do chamado “custo Bolsonaro” nas relações internacionais.





