Governo Lula denuncia à ONU e Fifa casos de racismo e discurso de ódio registrados na Copa de 2026

Conselho Nacional dos Direitos Humanos informa que identificou quase 90 mil publicações com conteúdo abusivo durante o Mundial e cobra medidas para prevenir novos episódios de discriminação

O governo federal, por meio do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), formalizou uma denúncia à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Federação Internacional de Futebol (Fifa) sobre casos de racismo, discriminação racial e discurso de ódio registrados durante a Copa do Mundo de 2026. A iniciativa busca ampliar a atuação de organismos internacionais na prevenção e no combate a esse tipo de violência durante competições esportivas.

Segundo o CNDH, um levantamento analisou mais de seis milhões de publicações relacionadas ao torneio. Desse total, aproximadamente 89 mil continham conteúdo considerado abusivo, sendo que cerca de 11% apresentavam caráter racial.

Denúncia foi encaminhada a órgãos internacionais

A representação foi enviada ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (CCPR), à Relatoria Especial da ONU sobre Formas Contemporâneas de Racismo, ao Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos e também ao canal oficial de denúncias da Fifa.

No documento, o conselho argumenta que os países-sede da Copa de 2026 — Estados Unidos, Canadá e México —, assim como os demais Estados envolvidos, têm responsabilidades previstas em tratados internacionais para prevenir, investigar e responsabilizar autores de manifestações de ódio ocorridas em seus territórios.

Além disso, o CNDH solicita que a Fifa tenha sua atuação analisada à luz dos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, reforçando a necessidade de políticas mais eficazes para combater a discriminação durante eventos esportivos de grande porte.

Casos de racismo e ataques virtuais estão entre as denúncias

A manifestação apresentada às entidades internacionais reúne episódios registrados ao longo da competição envolvendo ofensas racistas contra atletas, ataques em plataformas digitais e declarações atribuídas a autoridades públicas consideradas discriminatórias.

O conselho sustenta que o crescimento desse tipo de ocorrência exige ações coordenadas entre governos, organizações internacionais e entidades esportivas para garantir a proteção dos direitos humanos e a responsabilização dos envolvidos.

A iniciativa ocorre em meio ao aumento das discussões sobre racismo e discurso de ódio no ambiente esportivo, especialmente em grandes competições internacionais, onde episódios de discriminação têm ganhado repercussão dentro e fora dos estádios.

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