O novo procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou ao tomar posse nesta segunda-feira (18) que é preciso assumir a “responsabilidade” de resgatar o passado do Ministério Público da União e “o futuro a preparar” à frente da instituição.
Nos últimos anos, sob a gestão de Augusto Aras, a ação da PGR foi marcada por seguidas decisões de não investigar o então presidente Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, Gonet tem o desafio de refazer as pontes com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente foi denunciado pelo Ministério Público Federal e mais tarde condenado e preso, mas as condenações acabaram anuladas.
— Penso nas mesmas responsabilidades que a chefia do MPU implica, pois temos um passado a resgatar, e um futuro a preparar — disse em sua fala.
Segundo Gonet, “não há respeito pleno da dignidade, sem que reconheçamos a responsabilidade de cada qual pelos atos que praticam ou que omitem”.
Gonet afirmou que o Ministério Público vive um momento crucial na construção da democracia. Em seu discurso, o novo procurador-geral da República ressaltou:
— Somos os corresponsáveis de toda a ordem jurídica, social e política e somos os corresponsáveis pelo estímulo aos valores republicanos — disse — A defesa constante aos direitos inerentes a dignidade deve ser o nosso norte intransigente.
Gonet assume a PGR após dois mandatos consecutivos de Augusto Aras, escolhido por Jair Bolsonaro, que deixou o posto em 26 de setembro. Até agora, alguns nomes de sua equipe foram anunciados, como o vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand, Eliana Torelly, na secretaria-geral, e Silvio Amorim Júnior na secretaria de Relações Institucionais. Também fará parte da equipe Raquel Branquinho que assume como Diretora-Geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU).
A solenidade de posse de Gonet conta com a presença do presidente, de integrantes do Judiciário, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Nunes Marques, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Alexandre de Moraes. O evento reuniu nomes de diferentes espectros políticos, como o senador Marcos do Val, a deputada federal Bia Kicis, e o senador Randolfe Rodrigues.
Com informações de O Globo





