Galípolo afirma em CPI que reunião com Lula e Vorcaro teve caráter técnico

Presidente do Banco Central diz que recebeu orientação para agir com autonomia e evitar “pirotecnia” em encontros institucionais

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que sua participação em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teve caráter estritamente técnico. A declaração foi dada durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal.

Segundo Galípolo, a orientação que recebeu antes do encontro foi clara: atuar com independência técnica e evitar qualquer tipo de exposição desnecessária. “Recebi, sempre assim: ‘Seja técnico, o mais técnico possível, você tem toda autonomia nesse processo para você perseguir, seja quem for e investigar, seja quem for, mas também não faça nenhum tipo de pirotecnia. A orientação sempre foi essa’”, afirmou o economista aos senadores.

Depoimento na CPI e foco no caso Banco Master

Galípolo foi convidado a prestar esclarecimentos no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master, tema que tem sido um dos focos centrais da CPI. A comissão, relatada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), tem prazo de funcionamento até o próximo dia 14 de abril.

Durante a oitiva, o presidente do Banco Central reforçou que sua atuação segue critérios técnicos e institucionais, independentemente dos envolvidos. A fala ocorre em meio ao avanço das investigações sobre possíveis irregularidades no sistema financeiro e conexões com o crime organizado.

Reunião fora da agenda oficial

A reunião mencionada por Galípolo ocorreu em dezembro de 2024 e não constou na agenda oficial da Presidência da República. Na ocasião, além de Lula e Vorcaro, o próprio Galípolo participou do encontro, ainda no período em que havia sido indicado para assumir o comando do Banco Central.

A existência da reunião foi revelada anteriormente pela imprensa e passou a ser questionada no contexto das investigações da CPI. No depoimento, Galípolo buscou afastar interpretações políticas ou informais sobre o encontro, reiterando seu caráter técnico.

Defesa de autonomia e discrição

Ao longo de sua fala, o chefe da autoridade monetária destacou que recebeu liberdade para conduzir investigações e análises, desde que mantida a discrição. A orientação, segundo ele, foi equilibrar rigor técnico com responsabilidade institucional.

A CPI do Crime Organizado tem ampliado seu escopo de atuação nas últimas semanas, incluindo apurações que envolvem o sistema financeiro. O caso do Banco Master figura entre os principais eixos das investigações conduzidas pelos parlamentares.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading