G20 pode perder relevância, alertam Lula e Macron em cúpula

Líderes do Brasil e da França afirmam que o bloco vive um momento decisivo e precisa retomar consensos diante de crises globais.

Em discursos alinhados na cúpula do G20 neste sábado, em Joanesburgo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder francês Emmanuel Macron afirmaram que o grupo das maiores economias do mundo corre o risco de perder relevância caso não recupere sua capacidade de produzir consensos em meio a conflitos e crises crescentes.

Ausência de Trump e avanço do unilateralismo

Sem citar diretamente o presidente americano, Donald Trump, Lula afirmou que o G20 está “ameaçado” pelo protecionismo e pelo unilateralismo. Para ele, se o bloco não conseguir atuar diante de guerras como as da Ucrânia e de Gaza e do aumento das desigualdades, nenhuma outra instância global terá legitimidade suficiente para substituí-lo.

Macron reforçou a crítica, afirmando que o G20 “talvez esteja chegando ao fim de um ciclo” e que a ausência dos Estados Unidos enfraquece o fórum e simboliza a fragmentação internacional.

Reuniões bilaterais e defesa do acordo com a União Europeia

Antes da cúpula, Lula se reuniu com o chanceler alemão, Friedrich Merz, ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em outro momento, posou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com Macron, declarando que os três reafirmaram o compromisso com o acordo entre Brasil e União Europeia.

Críticas ao protecionismo e à austeridade

Lula afirmou que o G20 nasceu como resposta à crise de 2008 e teve papel crucial para evitar um colapso global. No entanto, segundo ele, a resposta internacional foi “incompleta” e abriu caminho para desigualdades e tensões geopolíticas.

O presidente alertou que o ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo se apresenta como solução “fácil e falaciosa”, mas aprofunda os problemas enfrentados pelo mundo.

Clima, desigualdade e impostos sobre super-ricos

Lula destacou que a COP30 representou a vitória da ciência e do multilateralismo, e defendeu mecanismos de troca de dívida por investimentos climáticos, além da taxação de super-ricos. Para ele, a desigualdade extrema tornou-se um risco para todas as economias.

Mesmo sem a participação dos Estados Unidos, o G20 aprovou uma declaração robusta sobre mudanças climáticas e redução das desigualdades socioeconômicas.

‘G20 pode se tornar irrelevante’, diz Macron

Ao final, Macron reforçou que o bloco precisa recuperar um padrão comum de atuação para não perder relevância no cenário global.

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