A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu uma investigação para apurar as imagens de um baile funk que escancarou o domínio do crime organizado na Cidade de Deus, Zona Oeste da capital. O evento, realizado no sábado (17), contou com show do funkeiro MC Poze do Rodo e teve a participação de traficantes fortemente armados com fuzis em meio à multidão — conforme mostram vídeos que circulam amplamente nas redes sociais.
Nas gravações, é possível ver diversos homens portando armas de guerra, filmando a festa com celulares e assistindo ao show de forma ostensiva, sem esconder os rostos ou demonstrar qualquer receio de represálias policiais. O baile foi divulgado como “o maior do Rio” e ocorreu num contexto de escalada da violência na região.
A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) quer identificar os criminosos armados que aparecem nas imagens e descobrir quem financiou a festa. “Foram exibidos vários fuzis no meio do baile”, declarou o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a morte do inspetor Marcelo de Souza Matos, de 41 anos, integrante da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), durante uma operação na própria comunidade, nesta segunda-feira (19). O agente foi baleado na cabeça em um tiroteio e não resistiu aos ferimentos. A ação levou ao fechamento da Linha Amarela, uma das principais vias expressas do Rio, por causa dos confrontos intensos.
MC Poze ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio. Em ocasiões anteriores, o artista afirmou que se apresenta em comunidades a convite dos moradores e que sua missão é levar “alegria para o povo da favela”.
Não é a primeira vez que um show do cantor é marcado pela presença de criminosos armados. Em 2020, cenas semelhantes foram registradas durante um baile no Jacaré, na Zona Norte. A reincidência acende o alerta das autoridades sobre a banalização da exibição de armas de uso restrito em festas populares financiadas por facções.
Enquanto a Polícia investiga os responsáveis, o episódio escancara os desafios do Estado em coibir a influência do tráfico em territórios dominados e levanta o debate sobre a responsabilidade de artistas e produtores de eventos em áreas de risco.
Confira o vídeo publicado pelo repórter Eduardo Tchao em suas redes sociais





