Funeral de Ali Khamenei reúne milhões no Irã e cortejo segue para Qom antes do sepultamento

Cerimônias em homenagem ao líder iraniano seguem até quinta-feira (9), quando o enterro será realizado em Maxade, após atos em Teerã, Qom e cidades sagradas do Iraque.

Milhões de pessoas ocuparam as ruas de Teerã nesta segunda-feira (6) para acompanhar a procissão fúnebre do aiatolá Saied Ali Khamenei, Líder da Revolução Islâmica do Irã, morto em 28 de fevereiro durante um ataque atribuído a uma ação conjunta dos Estados Unidos e de Israel.

O cortejo percorreu cerca de 10 quilômetros pelas principais vias da capital iraniana até a Praça Azadi. O trajeto incluiu importantes avenidas e praças da cidade, encerrando-se nas proximidades do aeroporto de Mehrabad.

A procissão ocorreu após dois dias de velório público no Mosala Imam Khomeini, onde milhares de pessoas passaram para prestar as últimas homenagens ao líder iraniano e a familiares que também morreram no ataque.

Multidão acompanha despedida em Teerã

Segundo a imprensa iraniana, pessoas de diversas regiões do país viajaram até Teerã para participar da despedida. Vestidos de preto, os participantes carregaram bandeiras nacionais, retratos de Khamenei e faixas cobrando punição aos responsáveis pelo atentado.

Entre as autoridades presentes estavam o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni Ejei, integrantes das Forças Armadas, da Guarda Revolucionária Iraniana, líderes religiosos e representantes de governos estrangeiros.

De acordo com o comandante da Guarda Revolucionária na Grande Teerã, general Hassan Hassanzadeh, o encerramento da etapa na capital estava previsto para o fim da tarde. Em seguida, o corpo seria levado para a cidade sagrada de Qom antes da oração do Maghrib.

Cerimônias seguem por seis dias

O Ministério dos Transportes do Irã informou que disponibilizou 400 ônibus e seis trens para transportar os participantes das cerimônias. A estimativa oficial é de que entre 15 milhões e 20 milhões de pessoas participem das homenagens durante os seis dias de programação.

Nesta terça-feira (7), as cerimônias continuam em Qom, considerada um dos principais centros religiosos do país. Na quarta-feira (8), o corpo seguirá para o Iraque, onde estão previstas homenagens nas cidades de Najaf e Carbala.

Segundo veículos iranianos, o presidente Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, e o filho mais velho de Khamenei participarão dos atos no Iraque. A emissora Al Mayadeen informou que toda a preparação para as cerimônias em Najaf já foi concluída.

Sepultamento será realizado em Maxade

O enterro está marcado para esta quinta-feira (9), em Maxade, cidade natal de Ali Khamenei, localizada no nordeste do Irã. Conforme manifestação feita pelo próprio líder em vida, ele será sepultado no santuário do Imam Reza, considerado um dos locais mais sagrados para os muçulmanos xiitas.

As cerimônias também contam com a presença de representantes de diversos países. Participam das homenagens autoridades do Paquistão, Rússia, China, Índia, Iraque, Turquia, Catar, Omã, Arábia Saudita, Nicarágua e Mianmar.

Além das delegações governamentais, organizações palestinas e libanesas enviaram representantes para os atos realizados em Teerã, entre elas Hamas e Hesbolá.

Autoridades iranianas fazem discursos durante homenagens

Durante a cerimônia, o comandante do Exército iraniano, major-general Amir Hatami, afirmou que Estados Unidos e Israel responderão pelas consequências do ataque que matou Khamenei. O vice-comandante das Forças Armadas, almirante Habibollah Sayyari, declarou que os militares renovam o compromisso de seguir o legado político e religioso do líder iraniano.

Também nesta segunda-feira, o dirigente do Hamas, Osama Hamdan, afirmou que o apoio de Khamenei à causa palestina foi um dos mais significativos da história recente. Em entrevista à emissora Al Alam, ele disse que o líder iraniano nunca abandonou seu posicionamento em defesa da Palestina, mesmo diante dos momentos mais difíceis.

Segundo Hamdan, Khamenei considerava a causa palestina um fator de união entre os povos muçulmanos e via a operação Dilúvio de Al-Aqsa, realizada em outubro de 2023, como um marco para a resistência palestina.

O dirigente concluiu afirmando que a morte de Khamenei representa uma grande perda para seus apoiadores, mas também encerra uma trajetória marcada pelo compromisso com a defesa da causa palestina.

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