Foragido há 197 dias, o influenciador digital Vítor Vieira Belarmino, acusado de atropelar e matar o fisioterapeuta Fábio Toshiro Kikuta no Recreio dos Bandeirantes, em 2024, tentou um novo recurso para evitar sua prisão. A defesa do réu solicitou à Justiça a participação do influenciador por videoconferência na audiência marcada para esta sexta-feira (12), numa tentativa de seguir em liberdade, mesmo sem se apresentar às autoridades, informa Ancelmo Góis.
O pedido foi prontamente negado pela juíza Alessandra de Lima Roidis, que classificou a solicitação como uma afronta aos princípios fundamentais do processo penal. Na decisão, a magistrada destacou que o Código de Processo Penal não garante a um réu foragido o direito de ser interrogado por videoconferência, e que aceitar tal pedido representaria violação aos princípios da lealdade, da boa-fé objetiva e da cooperação processual.
“Além da nítida afronta a princípios processuais basilares, é necessário destacar que o próprio Código de Processo Penal não garante ao réu foragido o direito de ser interrogado por videoconferência”, escreveu a juíza na decisão. Ela também mencionou que a solicitação não se sustenta nem à luz do entendimento das Cortes Superiores, que exigem a presença do réu como pressuposto básico para o exercício do direito de defesa.
O caso ganhou ampla repercussão desde o atropelamento, que resultou na morte de Fábio Kikuta. Vítor Belarmino, conhecido nas redes sociais, fugiu do local sem prestar socorro e passou a ser considerado foragido depois de ter a prisão preventiva decretada pela Justiça. Desde então, o influenciador não se apresentou nem forneceu informações sobre seu paradeiro, dificultando as investigações e aumentando a pressão social por justiça.
A audiência desta sexta-feira, que marca a abertura da fase de instrução do processo, foi mantida, mas sem a presença do acusado. O Ministério Público e a assistência de acusação reforçaram, na sessão, o pedido para que sejam adotadas medidas que intensifiquem a busca e captura de Vítor, cuja conduta tem sido interpretada como clara tentativa de obstruir a Justiça.





