Às vezes, enquanto vasculham o céu procurando por cometas e asteroides, os astrônomos se deparam com objetos artificiais no espaço. E não estamos falando de naves alienígenas, e sim de artefatos produzidos pelo homem, como satélites, foguetes e outros objetos utilizados em nossas missões espaciais.
Alguns deles estão “perdidos” há muitos anos, como é o caso de um foguete Falcon 9 da SpaceX encontrado esta semana. Seria um procedimento bem corriqueiro: compilar as observações, identificar o objeto, sua órbita e compartilhar os dados com os demais observatórios. Só que, segundo os cálculos feitos pelos astrônomos, este foguete tem um destino diferente: ele vai atingir a Lua.
O foguete em questão é o segundo estágio do Falcon 9 lançado pela SpaceX a partir do Centro Espacial John Kennedy, em Cabo Canaveral, nos Estados Unidos. Ele levou o satélite DSCOVR (Deep Space Climate Observatory) até o Ponto de Lagrange L1, que fica a 1,5 milhões de quilômetros de distância, na direção do Sol. O DSCOVR é um satélite do governo norte-americano para observação da Terra e do “clima” espacial.
O foguete modelo Falcon 9 da SpaceX, lançado em 2015, saiu de órbita e está vagando pelo espaço pelos últimos sete anos.
A missão da espaçonave era colocar em órbita um satélite para monitorizações climáticas da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, que foi bem sucedida.
O problema foi que o segundo estágio do foguete ficou em uma espécie de limbo. O meteorologista e escritor Eric Berger disse, em um artigo no Ars Technica, que o Falcon 9 ficou sem combustível para voltar à Terra e sem energia suficiente para escapar da força gravitacional entre a Lua e a Terra.
“Ele [o foguete Falcon 9] tem estado seguindo uma órbita caótica desde fevereiro de 2015”, disse Berger.
Após cumprir sua missão, o foguete da SpaceX, com 14 metros e cerca de 4 toneladas, foi abandonado no espaço e permaneceu em órbita do Sol sem poder ser observado.
Até que no início de 2022 ele foi encontrado pelas câmeras de um observatório, momentos antes de uma aproximação com a Lua em 5 de janeiro. De início, imaginou-se que se tratava de um asteroide, mas com novas observações realizadas nas noites seguintes, concluiu-se que era o segundo estágio do Falcon 9, identificado como NORAD 40391.
Sempre que um objeto artificial é identificado durante as buscas por asteroides próximos à Terra, os dados dessas observações são enviados para o Projeto Pluto, que mantém e compartilha esses dados com outros observatórios para evitar que eles possam ser confundidos com asteroides novamente no futuro.
Na última sexta, 21 de janeiro, uma circular comunicou que no próximo dia 4 de março esse foguete deverá se chocar com a Lua.
O impacto está previsto para ocorrer às 12:25:39 no Horário Universal (09:25:39 no Horário de Brasília).
Segundo o Projeto Pluto, que também publicou as coordenadas lunares onde o foguete deve ser “sepultado”, o impacto é certo, e a margem de erro desses cálculos é de apenas alguns segundos e alguns quilômetros.
A previsão dos especialistas é que o foguete, que pesa cerca de quatro toneladas, venha a se chocar com a superfície lunar a uma velocidade de 9.288 km/h.






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