Mais de 17% da área total do Pantanal foi consumida pelo fogo em 2024, segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da UFRJ. O bioma, que possui cerca de 15 milhões de hectares, teve 2,6 milhões de hectares atingidos pelas chamas, em um dos piores anos da série histórica iniciada em 2012. O recorde permanece com 2020, quando 3,6 milhões de hectares foram destruídos.
A crise no Pantanal também reflete um cenário nacional preocupante. Dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas, indicam que as queimadas no Brasil em 2024 devastaram mais de 30 milhões de hectares, um aumento de 79% em relação ao ano anterior. Essa é a maior extensão atingida pelo fogo desde 2019. Desse total, 73% ocorreram em áreas de vegetação nativa, incluindo 25% de formações florestais. Pastagens também foram gravemente impactadas, com 6,7 milhões de hectares destruídos.
Seca causada pelo El Niño é apontada como causa
Especialistas associam o aumento das queimadas à seca extrema causada pelo fenômeno El Niño, que afetou boa parte do Brasil entre 2023 e 2024. “Os dados mostram como funciona essa balança, que impacta na quantidade de fogo, entre as condições climáticas e a quantidade de fontes de ignição”, destacou Ane Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
No Pantanal, agosto foi o mês mais crítico, com 1,9 milhão de hectares queimados, um aumento de 64% em relação à média dos últimos seis anos. Apesar do reforço no combate às chamas, com 890 profissionais mobilizados, 15 aeronaves e 33 embarcações, o impacto foi devastador.
A destruição de 2024 é um alerta para os desafios enfrentados na preservação do Pantanal, especialmente diante de condições climáticas extremas e da vulnerabilidade do bioma ao fogo.
Com informações de O Globo





