Ricardo Cavaliere, renomado filólogo brasileiro, tomou posse (18) hoje na Academia Brasileira de Letras (ABL) como imortal da casa de Machado de Assis. Ele ocupará a cadeira número oito, vaga desde a morte da professora, pesquisadora e crítica literária Cleonice Berardinelli, em janeiro.
Nascido em Niterói, o acadêmico de 68 anos é professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da Academia Brasileira de Filologia, área que se dedica ao estudo da língua por meio da análise histórica de documentos escritos.
Sua candidatura veio justamente para atender à preocupação do acadêmico e filólogo Evanildo Bechara, de 95 anos, de fazer um sucessor na casa e reforçar o setor de filologia da instituição. Em abril, Cavaliere superou com facilidade o concorrente Mauricio de Sousa, apesar de uma forte campanha popular nas redes sociais pelo criador da Turma da Mônica. Cavaliere fez 35 votos contra dois de Mauricio.
O novo imortal pretende, agora, se dedicar a projetos em curso na ABL, como o vocabulário da língua portuguesa e o desenvolvimento do dicionário.
– O compromisso com a língua portuguesa está nos estatutos da casa, o que significa que ela deve sempre manter algum tipo de atividade voltada para a língua portuguesa – diz o filólogo. – Projetos como o do dicionário e o do vocabulário são constantemente renovados e já conferem bastante trabalho na área. Nesse sentido, a entrada de mais um filólogo traz sangue novo e vai contribuir não apenas para a continuação desses projetos como também na criação de novos projetos nessa seara – disse Cavaliere.
O filólogo reconhece que sua entrada na casa se deve em grande parte pela campanha do colega e amigo Evanildo Bechara.
– Ele sentia essa necessidade de que a língua portuguesa tivesse um reforço e se esforçou para que eu ingressasse na Academia — diz.
Bechara e Cavaliere convivem desde os tempos em que atuavam na UFF, onde Cavaliere ingressou através de concurso em 1992. Lá também conviveu com outro acadêmico, Domício Proença Filho.
– Com seus saberes, seu dinamismo e seu empenho, Cavaliere contribuirá fundamentalmente para a ação da academia nos espaços da nossa língua portuguesa da qual é profundo conhecedor – diz Proença Filho.
Para o presidente da ABL, Merval Pereira, Cavaliere e Bechara são os maiores filólogos brasileiros, fundamentais para que a instituição conclua o projeto do dicionário.
– Como nossa função básica é cuidar da língua, ele vai ser fundamental e vai nos ajudar a levar adiante o projeto há muito tempo acalentado de criação de um dicionário. Já começamos a fazer online, e estamos montando uma equipe maior para poder concluir esse projeto.
Com informações de O Globo.





