O presidente e filho do fundador da Voepass, José Luiz Felício Filho, está assumindo a liderança executiva e a gestão direta das operações da companhia em uma reestruturação destinada a recuperar a empresa após o trágico acidente com o voo 2283, que caiu em 9 de agosto, resultando na morte das 62 pessoas a bordo.
Como parte dessa reestruturação, foram demitidos os responsáveis diretos pelas áreas de operação, manutenção e segurança operacional. Essa medida reflete a determinação da empresa em reavaliar e aprimorar seus processos, buscando garantir maior segurança e confiança na operação de suas aeronaves. A mudança na liderança é um passo estratégico para restaurar a reputação da Voepass e reconquistar a confiança dos passageiros e do mercado.
Na diretoria de operações, área responsável pela qualidade, segurança das operações e a gestão de tripulação e malha aérea, o comandante Raphael Limongi assume no lugar de Marcel Moura.
David da Costa Faria Neto, tenente-coronel aposentado, que era diretor de Segurança Operacional da Voepass desde 2016, será substituído pelo comandante Diego Hangai, que soma 13 anos de casa.
A empresa também promoveu o engenheiro mecânico Carlos Alberto Costa, executivo que está na empresa desde junho de 2022, para comandar a diretoria de Manutenção em substituição a Erick Consoli, que também foi demitido.
Os três novos diretores já tiveram os nomes apresentados para a Agência Nacional de Aviação Civil, que precisa aprová-los.
Nos dois anos que ficou no cargo de diretor de operações, Moura adotou uma política de promoção que gerou muito descontentamento entre a tripulação mais antiga. Ele trouxe para a companhia, para voar nos ATRs, copilotos jovens de Airbus — e que, após passar por treinamento no ATR, tiveram uma carreira meteórica de copiloto a piloto. Dentre eles o próprio comandante do ATR que caiu em Vinhedo, Danilo Santos Romano.
Já David Faria teve uma passagem pela Anac, como superintendente de segurança operacional. Como mostrou a coluna, Faria também foi diretor da Team, companhia que passou por um acidente aéreo fatal e cujas investigações apontaram uma série de irregularidades perpetradas pela empresa, incluindo adulteração de livro de bordo e violação da caixa-preta.
Felício Filho manterá o cargo de presidente e vai acumular a Chefia de Operações (Chief Operating Officer). O cargo de CEO deixa de existir e o atual CEO, Eduardo Busch, permanece na empresa, assumindo a área jurídica (Chief Legal Officer).
Filho do fundador da empresa, José Felício, que faleceu no ano passado, Felício Filho é piloto há mais de 30 anos. É o comandante mais antigo da empresa com mais de 10 mil horas de voo. Ele está na presidência da companhia desde 2004.
Com informações de O Globo.





