Filho do ex-deputado Syrkis recebe homenagem da avó Liliana na Câmara

Cerimônia também celebrou os 77 anos da criação do Estado de Israel

Militante e mãe do ex-deputado federal e ex-vereador Alfredo Syrkis, Liliana Syrkis foi a escolhida pelo vereador Flávio Valle (PSD) para, não só receber a póstuma Medalha Chiquinha Gonzaga, como também simbolizar a luta contra o antissemitismo e os 77 anos da criação de Israel.

A solenidade, realizada nesta quinta-feira (15) na Câmara do Rio, reuniu autoridades, representantes culturais, membros da comunidade judaica e familiares da homenageada, proporcionando um momento de reflexão e reconhecimento.

Na mesa da cerimônia estavam Guilherme Syrkis, neto de Liliana e conselheiro da cidade do Rio de Janeiro, que recebeu a homenagem em memória da avó; Bruno Feigelson, presidente da FIERJ; Suzana Bennesby, representante da Wizo-Rio; Suzana Teitel, presidente da NAAMAT-RIO; Lucas Padilha, secretário municipal de Cultura e amigo de Guilherme; e o vereador Marcos Dias (Podemos), que prestigiou a homenagem e exaltou a história de vida e resiliência de condecorada.

Visivelmente emocionado, Guilherme, responsável por cuidar da avó nos últimos cinco anos de sua vida e um dos dois filhos do vereador morto, relembrou momentos especiais ao lado de Lila e destacou o simbolismo da homenagem em um período marcado pelo aumento dos casos de antissemitismo.

“Judeu é sangue, é história e legado, é força. Minha avó era isso. Ela era força, realmente diferente e muito serena. Foi uma honra poder estar junto e cuidar dela nos últimos cinco anos de vida, pois sua força era inspiradora”, diz Syrkis, parafraseando Israel Klabin, diante de familiares e de Valle, que também é judeu, além de membro da família Klabin.

Guilherme também reforçou a importância das políticas públicas para os idosos e a necessidade de ressignificar o trabalho dos médicos especialistas em cuidados paliativos, enfatizando a relevância de uma medicina focada no conforto e na dignidade dos pacientes. Como mensagem final, ele leu um trecho do livro Lila, trazendo a citação de Wladyslaw Szlengel:

“Tenho que e tens que
Ansiar e acreditar
E, não obstante a dúvida,
Sofrer mas sobreviver
Com unhas e dentes.”

O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, emocionou os presentes ao compartilhar sua experiência de conhecer Liliana e almoçar com ela, expressando seu desejo de que sua história continue a inspirar a luta por um mundo mais justo.

Nascida em 1923, em Pińsk, Liliana faleceu em 13 de fevereiro de 2025, aos 101 anos, deixando um legado de coragem, generosidade e resistência, além de uma contribuição inestimável para a história carioca. Ela é sobrevivente do Holocausto como também de um massacre de judeus pós-guerra promovido por comunistas e ainda enfrentou a Ditadura Militar no Brasil, ao lado do filho militante. A cidade do Rio foi escolhida por Lila para gerar e criar seus descendentes, se consagrar como estilista da alta costura e viver até os últimos dias.

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