Festa literária internacional em Paraty, Flip abre atividades com falta de energia elétrica em rede da Enel que abastece cidade histórica  

A abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) fez todos lembrarem da empresa de energia Enel. Exatamente na hora em que a abertura do principal evento literário do país começava no Auditório da Matriz, a tradicional rua Dr. Samuel Costa, com seus restaurantes e galerias, ficou às escuras. Os problemas de fornecimento de energia…

A abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) fez todos lembrarem da empresa de energia Enel. Exatamente na hora em que a abertura do principal evento literário do país começava no Auditório da Matriz, a tradicional rua Dr. Samuel Costa, com seus restaurantes e galerias, ficou às escuras. Os problemas de fornecimento de energia acontecem há alguns dias na cidade e Paraty ficou quase toda às escuras nesta quinta-feira (23).

Também no fim da tarde, o problema se generalizou e muitas lojas e hotéis na região da Avenida Roberto Silveira, a principal da cidade, ficarem sem energia. No Centro Histórico, muitos lugares funcionavam em meia-fase e a Casa da Cultura precisou recorrer a um gerador para manter sua programação. Quando a luz acabou, acontecia a mesa “As suas nebulosidades”, com as poetas Dionne Brand e Angélica Freitas. O debate continuou e o ar-condicionado seguiu funcionando no auditório.

Em relação à programação principal, a organização da feira diz que não será alterada, já que o Auditório da Matriz tem gerador. A última mesa de hoje aconteceu às 20h45, com as escritoras Natalia Timerman e Sinéad Gleason.

O problema antigo da cidade com a concessionária de eletricidade Enel podia ser dimensionado por um recado na porta do restaurante Bartholomeu, muito frequentado pelos participantes da Flip: “Aviso aos clientes: estamos sem energia desde 22/11 às 19h. Abriremos assim que possível”. Com a queda da energia em mais pontos da cidade, o assunto tomou conta das redes sociais dos frequentadores do evento (os que ainda tinham a bateria dos celular carregada).

– Paraty é muito diferente em relação a outras cidades: estamos próximos a uma usina nuclear e não podemos ficar isolados – diz o contador Antônio Carlos Miranda Freire, autor de um abaixo-assinado contra a Enel que chegou a mil assinaturas. – Em setembro, ficamos sem energia e a rede de telefonia parou. A eletricidade é fundamental para o sistema de evacuação funcionar.

Em nota, a Enel Distribuição Rio informou “que uma ocorrência na linha de distribuição Mambucaba-Paraty causou uma oscilação de tensão no sistema elétrico que atende a cidade de Paraty na tarde de hoje (23). Para realizar os reparos na linha, a distribuidora terá que realizar um desligamento temporário em toda a cidade. Técnicos da concessionária já estão mobilizados no Centro de Operação da companhia e em campo trabalhando para o restabelecimento da energia.”

Em outubro, uma decisão judicial motivada por uma Ação Civil Pública da Prefeitura Municipal condenou a Enel a pagar multas que chegam a até R$ 1 milhão pelo não cumprimento de metas para o abastecimento de energia na cidade. Para justificar o processo no Ministério Público, a prefeitura apontou uma série de falhas que prejudicam a cidade de quase 50 mil habitantes.

Em setembro, o prefeito de Paraty Luciano Vidal (MDB) chegou a ir à polícia contra os problemas de energia da Enel. Depois dos apagões que aconteceram na cidade nos dias 8 e 26, ele foi à 167ª DP e à Polícia Federal registrar boletins de ocorrência contra a empresa italiana. Na próxima segunda-feira, está marcada uma reunião de prefeitos em Niterói para tratar do assunto.

— O problema da Enel em Paraty é antigo – diz o vereador Lucas Cordeiro (PSB), que junto a seus colegas convocou a empresa a dar explicações. – Enviamos diversos requerimentos à Enel e quase sempre as respostas eram bem vagas. Eles sempre falam como se fosse simples de ser resolvido, mas o tempo passa e as coisas não mudam.

O vereador conta ainda que os recentes apagões em cidades grandes como São Paulo, Niterói e São Gonçalo pode ajudar a dar visibilidade aos problemas de Paraty com sua fornecedora de energia elétrica.

— A gente sempre teve a sensação de que apenas Paraty sofria com o serviço ruim da Enel. Com o mesmo problema acontecendo em municípios grandes, a expectativa é que de fato alguma coisa agora seja feita.

Localizado em frente à Livraria da Travessa, montada exclusivamente para o evento, o restaurante Cana da Praça funcionava com uma pequena luz de emergência perto do caixa, operado pela funcionária Carina Lobo. Ela reclamava que na semana passada ficou sem luz no estabelecimento por 20 horas:

— Perde-se comida, tem-se prejuízo. Hoje não vou ter a metade do faturamento de ontem e estou na cara do gol. Todo mundo espera o ano inteiro pelo evento.

Com informações de O Globo.

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