Febre em crianças agora é a partir de 37,5°C, define Sociedade Brasileira de Pediatria

Nova diretriz atualiza classificação e orienta pais a observarem sintomas antes de medicar; febre é reação natural do corpo, não uma doença

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) anunciou uma nova atualização na classificação da febre em crianças. A partir de agora, temperaturas iguais ou superiores a 37,5°C medidas pela axila — ou 38°C pela via oral ou retal — passam a ser consideradas febre. Antes, o limite era 37,8°C. A mudança consta no documento “Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a Febre nas Arboviroses”, publicado pela entidade em 2025.

Nova diretriz segue padrões internacionais
Segundo o pediatra Tadeu Fernando Fernandes, presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da SBP e autor da diretriz, a atualização tem como base estudos científicos internacionais. O médico destaca que o novo parâmetro não deve ser usado como referência imediata para medicar ou correr com a criança ao pronto-socorro.

“A febre é uma resposta natural do organismo a um agente agressor — físico, químico ou biológico. Ela faz parte do sistema de defesa do corpo, não é uma doença em si”, explica Fernandes.

Febre infantil: o que muda e por que não é sinal de doença
A SBP reforça que a febre ajuda o corpo a produzir anticorpos e fortalecer o sistema imunológico, sendo uma aliada no combate a infecções. O objetivo da mudança é também combater a chamada ‘febrefobia’, ou seja, o medo exagerado dos pais diante da elevação da temperatura.

Estudos indicam que 20% a 30% das consultas pediátricas têm a febre como principal queixa, além de 65% dos atendimentos em emergências e 75% das orientações médicas por telefone ou aplicativos.

Quando dar antitérmico à criança?
De acordo com a nova diretriz, não existe um número mágico para o uso de antitérmicos. O mais importante é observar o estado geral da criança.

“Se ela está com 38,5°C e continua brincando, não há motivo para interromper a brincadeira. O momento de medicar é quando a febre vem acompanhada de abatimento, irritabilidade ou falta de apetite”, explica Fernandes.

Os medicamentos indicados são paracetamol, dipirona e ibuprofeno. Já o AAS (ácido acetilsalicílico) deve ser evitado, pois pode causar Síndrome de Reye, condição rara que afeta o fígado e o cérebro. A SBP alerta ainda que não se deve alternar ou combinar remédios, para evitar risco de superdosagem.

Quando procurar o pronto-socorro
Mesmo que a temperatura esteja abaixo de 38°C, os pais devem procurar atendimento médico imediato se a criança apresentar vômitos, diarreia, manchas vermelhas na pele, tosse persistente, rigidez no pescoço, dor de cabeça intensa, dificuldade para respirar ou apatia. Esses sinais podem indicar infecções mais graves e exigem avaliação profissional.

Cuidados com a febre infantil: atenção e tranquilidade são essenciais
A febre infantil deve ser interpretada como um alerta do organismo, e não como uma emergência automática. Entender esse processo ajuda os pais a evitar o uso desnecessário de medicamentos e garantir um cuidado mais seguro e consciente.

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