Falta de água atinge mais de 880 mil pessoas no Rio Grande do Sul e proximidade de frente fria agrava situação de desabrigados  

‘Se for preciso PEC, nós faremos, se for preciso lei complementar, lei ordinária nós faremos’, garantiu presidente do Senado

As fortes chuvas que assolam o Rio Grande do Sul já afetaram mais de 884 mil pessoas, deixando-as sem acesso à água potável, enquanto aproximadamente 435 mil pontos do estado estão às escuras devido à falta de energia elétrica. Segundo o mais recente relatório divulgado pela Defesa Civil nesta segunda-feira (6), os temporais já resultaram em mais de 121 mil pessoas desalojadas, com outras 19 mil buscando refúgio em abrigos. Para suprir necessidades básicas como cozinhar e higiene pessoal, os residentes estão compartilhando informações sobre fontes de água alternativas e pedindo doações.

O balanço da Defesa Civil revelou que 884.802 clientes da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) estão privados de água, o que representa 28% do total de consumidores atendidos pela instituição. Nas mídias sociais, residentes das áreas afetadas relatam escassez de água mineral nos mercados, agravando ainda mais a situação de abastecimento.

Em sua conta no X, antigo Twitter, o deputado estadual Matheus Gomes (Psol-RS) informou no domingo à noite que voluntários foram obrigados a parar a preparação de alimentos para os afetados pelas chuvas devido à falta de água. O desabastecimento tem impactado especialmente na capacidade de preparar alimentos e manter a higiene básica da população. “É uma situação sobre-humana. As pessoas chegam para se abrigar e não podem tomar um banho. Nas cozinhas solidárias corremos o risco de não conseguir fazer comida”, escreveu o deputado, fazendo um apelo por doações.

Um professor universitário compartilhou informações sobre locais com fontes de água nas ruas de Porto Alegre para que a população possa recorrer em caso de falta de abastecimento.

O relatório da Defesa Civil indica que 175.252 pontos do estado estão sem energia fornecida pela empresa CEEE Equatorial (9,5% do total de clientes), enquanto outros 260 mil pontos foram afetados pela concessionária RGE Sul (8,4% do total de clientes).

Mais de 121 mil pessoas estão desalojadas e outras 19 mil estão em abrigos. Este número já ultrapassa o registrado na última tragédia ambiental do estado, em setembro de 2023, quando 54 pessoas perderam a vida.

Para o início desta semana, a previsão é de uma redução nas chuvas. No entanto, o Comando Militar do Sul (CMS) alertou que a temperatura no Rio Grande do Sul deverá cair a partir da próxima quarta-feira (8), o que poderá aumentar os casos de hipotermia entre as pessoas isoladas pelas chuvas aguardando resgate, além de dificultar as operações de resgate e evacuação. Em algumas áreas do estado, a temperatura poderá cair para até 10°C em determinadas regiões.

Balanço desta segunda-feira:

  • Municípios afetados: 345;
  • Pessoas em abrigos: 19.368;
  • Desalojados: 121.957;
  • Afetados: 850.422;
  • Feridos: 276;
  • Desaparecidos: 111;
  • Óbitos confirmados: 83;
  • Óbitos em investigação: 4.

Com informações de O Globo.

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