Facção Povo de Israel: cúpula do grupo usa companheiras e parentes para lavar dinheiro do crime

Polícia já indiciou duas companheiras de integrantes da facção que movimentaram R$ 6 milhões

Foto: Os mais de cem celulares apreendidos nas celas ocupadas por integrantes da facção Povo de Israel — Foto: Divulgação

Uma investigação da Delegacia Antissequestro (DAS) sobre a facção Povo de Israel (PVI), que atua em 13 presídios do Rio, mostra que os integrantes da organização criminosa usaram parentes para movimentar o dinheiro que extorquem de vítimas pelo telefone. De acordo com o relatório, duas mulheres ligadas a presos movimentaram mais de R$ 6 milhões “em curtos espaços” de tempo. Elas são investigadas pelo crime de lavagem de dinheiro. Anteontem, presos ligados ao grupo foram alvo de uma operação das polícias Civil e Penal, que apreenderam 120 celulares em celas. Foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão.

Ao investigar como a quadrilha lava o dinheiro dos golpes que aplica de dentro das prisões, a DAS identificou uma série de movimentações suspeitas, principalmente nas contas de parentes e companheiras de detentos. Nubia Beatriz Silva dos Santos, mulher de Jailson dos Santos Barbosa, o Nem, operou cerca de R$ 3,3 milhões em sua conta bancária. De acordo com relatório da Seap, Nem seria o responsável pela “caixinha” do grupo criminoso, cuidando do dinheiro da organização nos presídios.

Recursos incompatíveis

Já pelas contas bancárias de Arianne Freire da Silva, companheira de Ricardo Luís Martins Dias Junior, o Da Lua, passaram R$ 2,8 milhões. Ele foi apontado pela Seap como o braço direito de Avelino Gonçalves Lima, o principal chefe da facção Povo de Israel.

Para a polícia, as transferências de Nubia e Arianne são “completamente incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica e o potencial financeiro das investigadas”. Elas foram indiciadas pela Polícia Civil por extorsão, crime de lavagem ou ocultação de bens, tráfico de drogas e organização criminosa.

De acordo com as investigações, a lavagem de dinheiro da facção Povo de Israel é feita de pelo menos três formas: smurfing, mescla e transferências sequenciais. A prática de smurfing consiste no fracionamento de depósitos bancários em valores abaixo do limite estabelecido pelos órgãos de regulação. Já a mescla é a mistura de recursos ilícitos e lícitos, camuflando o dinheiro obtido por meio de golpes e do tráfico de drogas nos presídios. Além disso, a quadrilha utiliza como estratégia as transferências eletrônicas em sequência, usando contas de passagem para dificultar o rastreio de quem ficará com o dinheiro no final.

Na investigação, a polícia destaca que os criminosos têm uma rede de dissimulação de capitais que, “muitas vezes, utiliza-se de familiares e visitantes diretos dos custodiados investigados, com a finalidade de garantir a segurança e a confiabilidade das operações financeiras, bem como manter um canal direto de comunicação pessoal”.

A companheira de Avelino também é citada na investigação. De acordo com a polícia, Adilangela de Araújo Mendes, que visita o chefe da facção no presídio, movimentou cerca de R$ 275 mil em transferências bancárias. O relatório cita pelo menos outros oito visitantes suspeitos de envolvimento na lavagem do dinheiro dos golpes. Todos esses estão na lista de 84 pessoas, alvos de um pedido feito pelo Ministério Público do Rio de bloqueio de bens, que somam R$ 67 milhões. O GLOBO não conseguiu contato com as defesas dos investigados.

Com informações de O Globo

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading