Exército informa que não se manifestará oficialmente sobre declarações do hacker Delgatti na CPMI dos atos golpistas

O Exército Brasileiro informou nesta quinta-feira (17) que não vai se manifestar oficialmente sobre as declarações do hacker Walter Delgatti à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O hacker afirmou ter ido cinco vezes ao Ministério da Defesa, inclusive conversando com o então ministro da pasta, general Paulo Sérgio…

O Exército Brasileiro informou nesta quinta-feira (17) que não vai se manifestar oficialmente sobre as declarações do hacker Walter Delgatti à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

O hacker afirmou ter ido cinco vezes ao Ministério da Defesa, inclusive conversando com o então ministro da pasta, general Paulo Sérgio Nogueira, em uma dessas ocasiões. O objetivo, segundo Delgatti, era discutir aspectos técnicos das urnas eletrônicas e de seu código-fonte.

Na ocasião, representantes das Forças Armadas participavam da comissão de fiscalização eleitoral do TSE, destinada a averiguar a segurança do processo eleitoral.

– Tudo que expliquei a eles consta no relatório (com sugestões das Forças Armadas sobre a segurança das urnas) que foi entregue ao TSE. Eu posso dizer que aquele relatório, de forma integral, foi exatamente o que eu disse. Eu apenas não digitei, mas eu que fiz ele porque tudo o que consta nele foi indicado por mim – disse Delgatti.

Durante a sessão, Delgatti também mencionou integrantes da corporação que teriam pedido para que fossem checados dados de relatórios fraudulentos sobre o processo eleitoral, que colocavam em cheque a segurança das urnas eletrônicas.

Aos parlamentares, Delgatti Netto afirmou que mantinha contato com o coronel Marcelo Jesus, que atuava no Alto Comando do Exército.

– Na época havia relatórios de um argentino que fez uma live. Ele me enviava e pedia que eu autenticasse, só que com dados que estavam no TSE, porque o relatório pega o banco de dados. A ideia dele era que eu fosse no relatório, fosse até o site e confirmasse se realmente aquele dado que estava no relatório constava no site do TSE. Então, por diversas vezes eu realizei essa autenticação de relatório para ele – disse Delgatti Netto.

Ele se referia ao vídeo do canal “La Derecha Diário” no YouTube, com informações falsas sobre as eleições brasileiras, do consultor Fernando Cerimedo, que chegou a ser retirado do ar pelo TSE em novembro do ano passado. Cerimedo é amigo do deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Em seguida, o hacker afirmou que o coronel Jesus lhe enviava vídeos dele no acampamento na porta do Quartel-General do Exército. “De pessoas rezando, de pessoas chorando. Ele enviava algumas matérias que saíam à época, alguns vídeos”, detalhou.

O hacker afirmou ainda aos parlamentares que partiu de Jair Bolsonaro uma recomendação para que se reunisse com integrantes do Ministério da Defesa antes das eleições de 2022.

De acordo com Delgatti, Bolsonaro orientou um de seus assessores, o coronel Marcelo Câmara – envolvido também no caso do resgate das joias árabes enviadas ao ex-presidente -, que levasse o hacker ao Ministério da Defesa. Delgatti afirmou à CPI que Bolsonaro insistiu no pedido. A ideia era “explicar aos técnicos” da Defesa o que ambos haviam discutido sobre manipulação das urnas.

– E ele (Bolsonaro) fala: “Olha, eu preciso que você o leve até o Ministério da Defesa”. Ele (Câmara) contrariou, disse: “Não, mas lá é complicado”. E o Bolsonaro disse: “Não, isso é uma ordem minha. Cumpra” – afirmou Delgatti.

Com informações de O Globo.

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