Ex-presidente da Câmara e ex-ministro de governos petistas, Aldo Rebelo diz que tese de golpe “é fantasia” para alimentar polarização política

O ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo classificou de “fantasia” a tese de que houve uma tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro do ano passado, quando bolsonaristas invadiram a  Praça dos Três Poderes e depredaram a sede do Supremo Tribunal Federal (STF), o Palácio do Planalto e o Congresso.…

O ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo classificou de “fantasia” a tese de que houve uma tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro do ano passado, quando bolsonaristas invadiram a  Praça dos Três Poderes e depredaram a sede do Supremo Tribunal Federal (STF), o Palácio do Planalto e o Congresso. Na visão de Aldo, o objetivo de petistas e seus seguidores é manter a polarização política e, dessa forma, promover uma aliança entre Executivo e Judiciário para se contrapor à influência do Judiciário.

“Faz bem à polarização atribuir ao antigo governo a tentativa de dar um golpe. Criou-se uma fantasia para legitimar esse sentimento que tem norteado a política nos últimos anos. É óbvio que aquela baderna foi um ato irresponsável e precisa de punição exemplar para os envolvidos. Mas atribuir uma tentativa de golpe a aquele bando de baderneiros é uma desmoralização da instituição do golpe de Estado“, disse Aldo em entrevista ao Poder360

Aldo foi deputado federal por cinco mandatos, presidente da Câmara dos Deputados (2005-2007), e ministro de quatro pastas diferentes em governos petistas: Coordenação Política (2004-2005), Esporte (2011-2015), Ciência e Tecnologia (2015) e Defesa (2015-2016


Aldo comparou os ataques de 8 de Janeiro ao movimento do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), uma dissidência do MST, que em 6 de junho de 2006 invadiu a Câmara dos Deputados, depredou parte do patrimônio e deixou 24 pessoas feridas, sendo uma em estado grave. “Eles levaram um segurança para a UTI, derrubaram um busto do Mario Covas. Eu dei voz de prisão a todos. A polícia os recolheu e eu tratei como o que eles de fato eram: baderneiros. Não foi uma tentativa de golpe. E o que houve em 8 de Janeiro é o mesmo“, comparou. 

Na época, Aldo era o presidente da Câmara dos Deputados. Segundo ele, a ideia de que Lula e as ações do STF (Supremo Tribunal Federal) salvaram a democracia servem a um outro propósito. Ambos enfrentam dificuldades no Legislativo. Lula teve dificuldade em aprovar pautas de seu interesse em 2023 e viu vetos serem derrubados. O Judiciário, por outro lado, lida com projetos de lei que visam diminuir o seu poder.

“Atribuir ao STF a responsabilidade de protetor da democracia é dar à Corte uma função que ela não tem nem de forma institucional, nem política. Isso atende às necessidades do momento. Há uma aliança do Executivo e do Judiciário em contraponto ao Legislativo, onde o Executivo não conseguiu ter maioria. É uma compensação“, afirmou.

Aldo sempre militou na esquerda. Lutou contra a ditadura militar e foi filiado a maior parte de sua carreira política ao PCdoB. Nas últimas eleições, concorreu ao Senado pelo Solidariedade.

Em 2015, foi contra o impeachment de Dilma Rousseff, Era crítico das medidas do STF que, em sua avaliação, permitiram que o processo continuasse até destituir a petista. “Tive sempre uma posição crítica com relação à destituição da presidente Dilma, que foi um erro histórico. E contou com o protagonismo importantíssimo do STF“, afirmou.

Hoje, Aldo está longe da política. Seu último cargo foi em 2018, quando assumiu o cargo de secretário-chefe da Casa Civil do governo de Márcio França, em São Paulo.

Com informações do Poder 360

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