Nove ex-ministros da Justiça e da Segurança Pública de diferentes governos democráticos brasileiros divulgaram nesta segunda-feira (21) uma carta aberta em repúdio às recentes ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O documento critica a “pretensão de interferência” da gestão Trump no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e condena a revogação dos vistos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pelos Estados Unidos. Para os signatários, as ações de Washington configuram um ataque à soberania nacional e um gesto de “retaliação” contra decisões judiciais legítimas.
Manifesto em defesa do STF
Na carta, os ex-ministros afirmam que os magistrados do STF estão sendo alvos de “indevida coação”, com o objetivo de constranger sua liberdade de decisão. Eles também rejeitam o que chamam de “intervenção abusiva” do governo americano, especialmente após a Corte brasileira ter imposto responsabilidades maiores às plataformas digitais — medida que teria contrariado interesses de grandes empresas dos EUA.
“Seria apenas risível esta pretensão de Trump e dos Estados Unidos da América de interferir no julgamento […] se não se revelasse uma afronta inadmissível à nossa soberania”, diz um dos trechos mais duros da carta. Os autores também observam que todos os réus do caso de tentativa de golpe, incluindo Bolsonaro, tiveram direito à ampla defesa e ao contraditório.
Crítica à política externa americana
Além do repúdio à ofensiva diplomática contra os ministros do STF, o manifesto retoma críticas mais amplas ao comportamento da atual gestão americana. “Há alguns anos, os Estados Unidos haviam diminuído a arrogância de se colocarem como superiores a todos os demais países. Esta prepotência retorna, acentuadamente, no novo mandato do presidente Trump e ameaça a paz”, afirmam os ex-ministros.
Assinam o documento:
Eugênio Aragão (governo Dilma Rousseff)
José Carlos Dias (governo Fernando Henrique Cardoso)
José Eduardo Cardozo (governo Dilma Rousseff)
Miguel Reale Júnior (governo Fernando Henrique Cardoso)
Milton Seligman (governo Fernando Henrique Cardoso)
Nelson Jobim (governo Fernando Henrique Cardoso)
Raul Jungmann (governo Michel Temer)
Tarso Genro (governo Luiz Inácio Lula da Silva)
Torquato Jardim (governo Michel Temer)






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