O ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque disse em depoimento à Polícia Federal, nesta terça-feira, que recebeu as joias do regime da Arábia Saudita como um presente para o Estado Brasileiro.
As informações são de Bela Megale, no Globo online.
Segundo pessoas que participaram da oitiva, Albuquerque afirmou aos investigadores que deu encaminhamento no processo de tentar liberar as peças de diamantes, avaliadas em R$ 16,5 milhões, apreendidas pela Receita Federal, com a finalidade que fossem incorporadas ao Estado.
A versão de Albuquerque confronta aquela sustentada por Jair Bolsonaro. Em nota divulgada na semana passada, um de seus advogados, Frederick Wassef, disse que o então chefe do Executivo “declarou oficialmente os bens de caráter personalíssimo recebidos em viagens”. O advogado fez referência à caixa com relógio e outros pertences avaliados em cerca de R$ 400 mil e que entrou irregularmente no Brasil.
— Na minha opinião, (a caixa de joias) é personalíssima, independentemente do valor. O TCU está tendo esse entendimento agora — afirmou ao Globo.
Tanto a defesa de Bolsonaro quanto seu filho recorreram a um entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU), de 2016, sobre os presentes recebidos por presidentes da República. A norma, porém, veda a apropriação de presentes valiosos, como joias.
A PF ainda perguntou ao ex-ministro Bento Albuquerque se tratou sobre as joias em conversas com Bolsonaro. Ele disse que não.
Como revelou o Estadão, o regime saudita enviou dois pacotes de presentes via o ex-chefe da pasta de Minas e Energia.
O conjunto com colar, anel e pulseira de diamantes foi retido pela Receita Federal. O outro presente que entrou, com relógio e demais itens, foi entregue a Bolsonaro pelo sucessor de Albuquerque no ministério, Adolfo Sachsida.
Ao receber o material, Jair Bolsonaro levou o pacote com o relógio junto de sua mudança e o incorporou ao seu acervo privado. O destino dado às peçcas foi diferente daquele que Albuquerque disse à PF que seria de seu entendimento, ou seja, um presente para o Estado Brasileiro.
Ao relatar sobre o momento da apreensão das joias, Bento Albuquerque disse à PF que a menção que fez aos fiscais da Receita de que as peças eram para a então primeira-dama se deu enquanto interagia com os profissionais da alfândega.
O ex-ministro afirmou que teve conhecimento que o conteúdo do presente era feminino só ao ver o pacote aberto durante a fiscalização no aeroporto e deduziu que a destinatária seria Michelle.
A versão diverge ao que aparece no vídeo da apreensão revelado pelo “JN”. Na gravação, Albuquerque disse: “isso tudo vai entrar lá para a primeira-dama”. Em entrevista ao “Estadão”, também afirmou que as peças eram para Michelle.





