O ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, o Suel, prestou depoimento na tarde de hoje (1) na 4ª Vara Criminal do Rio no processo em que é réu por homicídio e receptação no caso Marielle Franco. Ele negou fatos narrados pelo ex-policial militar Elcio de Queiroz em delação premiada.
Segundo as investigações, Maxwell era o dono do carro usado para esconder as armas que estavam em um apartamento de Ronnie Lessa, um dos autores do assassinato e amigo de Suel. O ex-bombeiro também teria ajudado a jogar o armamento no mar. Suel está em uma unidade de segurança máxima fora do estado e foi ouvido por videoconferência.
A mãe da vereadora Marielle Franco, Marinete Franco, chegou no Tribunal de Justiça por volta das 13h para assistir à audiência. Ela afirmou que espera que o processo de Suel possa ajudar a elucidar quem mandou matar Marielle.
– Precisa sim ter uma resposta e saber quem foi e condenar esses caras, e muito. Condenar bem condenado. Não só quem praticou o crime, o ato, mas também o mandante. Porque tem um mentor pra isso. A gente precisa sim saber quem foi e porque mandaram matar Marielle – disse.
Por cerca de uma hora e meia, Maxwell respondeu a perguntas do Ministério Público e da defesa. Ele preferiu não responder a perguntas da assistência de acusação que representa a família de Marielle Franco. O juiz Gustavo Kalil não fez perguntas.
Suel discordou em vários pontos da delação feita por Elcio de Queiroz. Em um dos pontos chegou a chamar o ex-policial militar de “bêbado”.
– Elcio se confunde várias vezes. Bêbado ou não lembra. Verdade ele não fala. É uma incoerência. Um bêbado depor e delatar. E dizer um monte de coisa que ouviu dizer – disse.
Durante o seu depoimento, Suel disse que não encontrou Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa na noite do crime no bar Resenha na Barra da Tijuca. Em sua delação, Elcio disse que encontrou Suel.
– Saí do Resenha pouco depois da minha mulher. Antes de o jogo acabar. Não encontrei o Lessa. Superlotado e eu estava a noite do lado oposto de onde ele diz que estava, perto do banheiro. Se ele esteve lá, não vi – contou Suel.
O ex-bombeiro confirmou que no dia seguinte foi com Ronnie e Élcio para o Méier e Rocha Miranda, mas disse que os fatos narrados por Elcio não aconteceram. Suel contou que foi visitar a mãe e não sumir com a placa clonada do Cobalt, como Elcio contou em depoimento.
– Não clonei placa nenhuma. Não participei de nada disso – afirma.
Suel confirmou que no dia seguinte ao crime ele e Lessa saíram da Barra, foram até o Méier, buscaram Elcio e seguiram até Rocha Miranda. Esta é a versão de Elcio, que informa que eles foram levar o carro usado no crime para ser desmontado no ferro-velho de um amigo, Edmilson Orelha.
O bombeiro também disse que nunca dirigiu e não esteve com o Cobalt prata, carro apontado pelas investigações como utilizado no crime.
O juiz Gustavo Kalil deu um prazo de 10 dias para a defesa de Suel apresentar os pontos divergentes. Após esse prazo, a defesa do Elcio opina se quer ou não a acareação. Só então, o magistrado irá decidir se vai ocorrer ou não.
Suel foi condenado em 2021 a 4 anos por atrapalhar as investigações dos assassinatos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Após recurso da Força Tarefa Marielle e Anderson e do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado do Ministério Público, a pena foi aumentada para 6 anos e 9 meses.
Ele foi preso em julho deste ano na Operação Élpis, quando a Polícia Federal (PF) ficou à frente do caso. O nome de Suel foi citado pelo ex-PM Élcio de Queiroz em delação premiada com a PF e com o MPRJ, quando deu detalhes do crime. Élcio também está preso por participação no crime.
Na delação, Élcio confessou que dirigiu o carro usado no ataque e confirmou que Ronnie Lessa fez os disparos. Suel teria ajudado a monitorar os passos de Marielle e participado, um dia após o crime, da troca de placas do veículo Cobalt usado no assassinato, se desfeito das cápsulas e munição usada, assim como providenciado o desmanche do carro.
Com informações do G1.





